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Tornado Warning

Hoje posso oficialmente dizer que receber um aviso de “tornado warning” pelo celular e segundos depois me ver no meio de uma tempestade de tornado pode ser bem assustador. Vou contar a minha experiência.

Meu marido me convidou para “visitar um parque” e tudo o que eu sabia sobre tal parque era que ficava perto do James River (rio) aqui em Richmond, Virginia. Saindo de casa olhei para o céu e estava escuro. Comentei: “Vai chover”. Em seguida, verifiquei meu email, pois o Weather Channel sempre envia alertas quando há tempestades. Havia um email indicando que deveríamos ficar de olho, pois uma “tempestade severa” com granizo forte e ventos de 100Km/hora se aproximava. Dentre as áreas afetadas estava o meu bairro. Como iríamos para o centro de Richmond, pensamos que fugiríamos da pior tempestade.

Chegamos no estacionamento do parque e a nuvem preta ainda estava sobre as nossas cabeças. Pensei: “Ficamos um pouquinho e quando os primeiros pingos começarem a cair, voltamos para o carro”. Pois, bem. Andamos em direção ao tal parque e logo dou de cara com uma ponte de pedestres suspensa, com 1Km de extensão, que passa por cima do rio. Acima desta havia a ponte principal para os carros, por sinal muito barulhenta para quem está abaixo. E a vertigem? Nossa, achei que não conseguiria atravessar! Mas o pior de tudo foi pensar que, se a chuva começasse, eu teria que correr 1Km de volta com o carrinho de bebê por toda a extensão da ponte suspensa e, obviamente, meu filho ficaria ensopado pela chuva. Falei: “Vamos conhecer outra parte do parque; deve haver outra parte mais perto do estacionamento; não precisamos atravessar a ponte”, mas meu marido dizia que o parque era na verdade uma ilha (“Belle Isle”) e que para chegar lá só havia a ponte. Olhei para o céu por diversas vezes, olhei para o meu filho… e decidi não ir. Meu marido, porém, queria muito conhecer o que havia na ilha e disse que iria mesmo assim. Perguntou se podia levar meu filho e ouviu um sonoro “não”, afinal, o céu alertava meu coração aflito de mãe.

Ali nos despedimos. Ainda pedi: “Não demore!”, e fui descendo em direção ao estacionamento. Ao chegar perto do carro, senti os primeiros pingos caírem do céu. Coloquei meu filho no banco de trás, fechei a porta, e fiquei “lutando” contra o carrinho de bebê, pois era a primeira vez que estava usando aquele modelo e não sabia como fechá-lo. Uma senhora dentro do carro estacionado ao lado abriu a janela e perguntou se eu precisava de ajuda, mas enquanto ela pegava o guarda-chuva para sair do carro dela e me ajudar, consegui fechá-lo sozinha e guardá-lo no porta-malas. Os pingos da chuva já estavam bem mais fortes e o vento também. Entrei no carro e peguei o celular para mandar mensagem pro meu marido e perguntar se ele já estava voltando. Foi quando recebi a seguinte mensagem em meu celular, emitida pelo Condado daqui:

Era exatamente 17h00 e a mensagem dizia: “Alerta de Emergência: Aviso de Tornado nesta área até às 17h30. Procure abrigo imediatamente. Verifique as notícias locais”. O coração quase saiu pela boca! Mandei uma mensagem pro meu marido avisando sobre o tornado e pedindo que ele buscasse abrigo, mas em exatos 20 segundos a tempestade veio de vez com ventos fortíssimos e granizo. Não dava pra ver nada lá fora; não dava pra saber se havia um funil de tornado e se estava ali perto ou não. As coisas voavam e batiam no meu carro. A situação dava medo, mas apavorada mesmo fiquei em pensar que meu marido estava lá fora, desprotegido, talvez até em cima da ponte suspensa, voltando para o carro e sujeito à violência da natureza. Foram alguns dos minutos mais aterrorizantes da minha vida. Mandei mensagem para a minha cunhada e ela respondeu: “Não se preocupe. Avisos de tornados podem ser assustadores quando você nunca passou por um”. Mas, cá entre nós, agora que já passei por um, digo que o próximo não vai me assustar menos, eu garanto! Deu muito medo!

Depois de um tempão eu comecei a ver duas ou três pessoas chegando no estacionamento, pessoas que haviam cruzado a ponte e conseguido chegar em seus carros. Eu sabia que seria questão de minutos até ver meu marido. Voilá! Ele chegou! Que alívio! Entrou no carro, pediu desculpas e disse que tomei a melhor decisão ao trazer nosso filho para o carro. Eu só estava aliviada em vê-lo ali conosco.

O caminho de volta para casa não foi menos caótico. A chuva, granizo e ventos haviam parado, mas os danos no asfalto, enchentes e árvores ao chão eram predominantes. Felizmente chegamos em casa bem.

As tempestades são perversas e às vezes pegam até os meteorologistas de surpresa. O aviso de tornado foi dado em cima da hora, sendo que começou com um aviso de tempestade severa e de repente se transformou em tornado. Já há algum tempo assino o recebimento de avisos meteorológicos por email do Weather Channel e super indico para quem estiver aqui nos EUA. E nunca subestimem a natureza! 🙂

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