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Co-Sleeping pode causar a Síndrome da Morte Súbita Infantil?

Depois do meu post de ontem, com algumas recomendações da Academia Americana de Pediatria, hoje vou trazer mais algumas informações para chacoalhar tudo o que já ouviu falar a respeito do sono do seu bebê. Minha intenção não é estimular qualquer prática insegura; por isso, a informação. Mães informadas conseguem tomar melhores decisões sobre o que fazer com os seus filhos. Assim, compartilho com vocês um texto do Dr. Sears, pediatra americano, sobre a relação entre co-sleeping e a morte súbita infantil.

Para refletir:

Co-Sleeping pode causar a Síndrome da Morte Súbita Infantil?

Pergunta: Ouvi dizer que compartilhar a mesma cama com o bebê representa um perigo de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI). Isso é verdade? Dormimos junto com meu filho de 3 meses de idade desde que ele nasceu e estou preocupada por poder estar colocando ele em perigo.

Resposta: Não se preocupe; continue compartilhando a cama. Pelo fato de eu ter pesquisado a fundo esta preocupação comum e escrito dois livros sobre o assunto, The Baby Sleep Book e SIDS: A Parent’s Guide to Understanding and Preventing Sudden Infant Death Syndrome, sinto que posso aconselhá-la sobre este assunto com segurança. No livro SIDS, você vai encontrar mais de 250 referências científicas que apoiam as informações fornecidas sobre os padrões de sono e respiração, e arranjos para dormir de forma segura.

Além disso, minha esposa e eu dividimos a cama com cada um de nossos oito bebês, e tenho defendido tal prática ao longo dos meus 35 anos de pediatria. Cheguei à conclusão de que o co-sleeping, se praticado com sabedoria e segurança, pode realmente diminuir o risco de SMSI, e aqui está o porquê:

Co-sleeping ajuda o bebê a acordar sozinho: Novas pesquisas têm mostrado que, na maioria dos casos, a SMSI é causada pela incapacidade do bebê de acordar do sono sozinho. Normalmente, quando alguma coisa acontece que ameaça o bem-estar do seu bebê, como por exemplo, dificuldade de respirar (difficulty breathing), ele automaticamente acorda. Por razões ainda desconhecidas, em alguns bebês esse mecanismo de proteção não desliga, então esses bebês têm maior risco de SMSI.

É aqui que os aspectos positivos do co-sleeping entram. O Dr. James McKenna, diretor do Laboratório do Sono Mãe-Bebê (Mother-Baby Sleep Laboratory) e Professor de Antropologia na Universidade de Notre Dame, realizou vários estudos de mães e bebês que compartilhavam a cama e amamentavam à noite. Seu grupo de pesquisadores descobriu que a mãe e o bebê compartilham padrões semelhantes de despertares do sono, o que chamamos de “harmonia noturna.” Eles entravam e saiam dos estados de sono em um padrão semelhante, mas nem sempre idêntico. Alguns pesquisadores de SMSI acreditam que este é um fator no mecanismo de despertar protetor do bebê. Esta harmonia também pode estar relacionada a uma sincronicidade psicológica entre mães que fazem co-sleeping e seus bebês: a mãe que faz co-sleeping tem maior propensão a sentir inconscientemente se a saúde do seu bebê está em perigo e acordar.

Os pesquisadores também acreditam que o dióxido de carbono que você expira quando dorme perto de seu bebê pode ajudar a estimular a respiração dele. Além disso, as crianças que fazem co-sleeping tendem a dormir automaticamente de barriga pra cima, a fim de ter acesso mais fácil às mamadas noturnas. Está comprovado que dormir de barriga pra cima é um dos fatores que mais reduzem o risco de SMSI. Enquanto isso, percebeu-se que bebês que dormem separadamente das suas mães tiveram uma diminuição na quantidade de sono REM (REM sleep), o estado de sono no qual o despertar protetor é mais provável de ocorrer.

Co-sleeping é uma prática comum em todo o mundo: A taxa de SMSI é menor em culturas em que tradicionalmente se pratica o co-sleeping, como a asiática. Embora possa haver muitos outros fatores que contribuem para a menor incidência de SIDS nestas culturas, todos os estudos populacionais que eu vi chegaram à mesma conclusão: praticar o co-sleeping de forma segura reduz o risco de SMSI.

Avisos sobre o co-sleeping são baseados em ciência imprecisa: Comecei minha carreira pediátrica na medicina acadêmica e lecionando em hospitais universitários. Naquele tempo, eu aprendi uma lição importante sobre a pesquisa científica: quando as conclusões de um estudo científico e o senso comum não correspondem, suspeite a falha na ciência. Ambos os escritos do Dr. McKenna e meus dois livros mencionados acima contêm informações que provam que os estudos originais que desencadearam o “alarme” sobre o co-sleeping eram falhos.

Adicionalmente, os cientistas ainda têm de chegar a um acordo universal sobre a definição de co-sleeping. Eu sempre considerei o co-sleeping de forma a significar o compartilhamento da cama ou dormir ao alcance do braço da mãe; no entanto, também pode ser definido como sendo simplesmente perto da mãe ou dormindo no quarto dos pais. Não importa a sua interpretação, você vai encontrar uma concordância geral entre todos os pesquisadores de de SMSI, pediatras, e a Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics), de que dormir no mesmo quarto com os pais diminui o risco de SMSI.

Co-sleeping é tão seguro quanto as condições que você pratica: por razões óbvias, os pais sob a influência de álcool, drogas ou medicamentos que interferem nos padrões normais de sono (sleep patterns) nunca devem ter seu bebê na cama deles. Outras ressalvas a colocar em prática:

  • Durma em uma cama de tamanho king, se possível, para dar espaço suficiente a todo mundo.
  • Certifique-se de que não haja fendas largas entre o colchão e o guardrail ou cabeceira, onde a cabeça do bebê poderia afundar.
  • Nunca permita que bebês durmam na mesma cama com irmãos ou cuidadores – eles podem não ter a mesma consciência que os pais têm sobre a presença de um bebê.
  • Não adormeça com seu bebê em uma superfície que não seja firme, como por exemplo, um sofá ou uma cadeira de saco de feijão; ele poderia sufocar por ficar enterrado entre as almofadas.

Muitos pais acabam com as suas preocupações sobre co-sleeping ao usar um berço acoplado: uma cama parecida com um berço que é anexada de forma segura à lateral do seu colchão. Isto permite que você tenha o seu próprio espaço para dormir em sua cama, enquanto o bebê dorme ao alcance do braço para fácil amamentação e conforto.

Espero que você continue a desfrutar do co-sleeping com o seu bebê, que o pratique com segurança, e colha os frutos de se sentir mais conectado com o outro. Basta lembrar – onde quer que você e seu bebê obtenham a melhor noite de sono é o arranjo ideal para sua família.

Autor do texto: Dr. William Sears

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