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Viagem internacional: grávida e sozinha

Já se passou mais de 3 anos desde que tive uma experiência horrível viajando grávida e sozinha ao Brasil, mas só hoje me dei conta de que nunca escrevi a respeito.

Grávida de 8 meses, estava indo ao Brasil para que meu filho nascesse lá por alguns motivos pessoais. Meu marido não iria comigo naquele momento porque estava ocupado com o Mestrado, então fui sozinha. Estudei as situações, planejei, me informei. Queria levar o carrinho do bebê e a cadeirinha de carro, mas as políticas da US Airways não eram claras sobre esses itens de bagagem, então telefonei e ainda mandei email para me certificar de que poderia levar os dois sem que fosse cobrada por isso.

Pois bem. Meu marido me levou a Charlotte de carro numa viagem que durou 4 horas. Chegando lá, levou as minhas malas para o check-in. Foi então que o atendente da US Airways disse que eu poderia levar o carrinho OU a cadeirinha, mas não os dois; se quisesse levar os dois, teria que pagar uma tarifa de 85 dólares pelo segundo item. Expliquei que eu tinha um email da companhia aérea dizendo que eu poderia, sim, levar os dois sem pagar nada. Mostrei o email e ele ignorou. Meu marido sugeriu que pagássemos a tarifa e depois entrássemos em contato com o Atendimento ao Consumidor para solicitar um estorno, pois aquilo não era justo. Estou tentando simplificar a história, mas a discussão demorou mais de meia hora e foi estressante. Ao final, perguntei se eu precisaria pegar minha bagagem na escala no Rio de Janeiro e ele disse que tudo estaria esperando por mim em São Paulo. Menos mal.

Bom, paga a tarifa de 85 dólares, meu marido se despediu de mim às 20h30 e foi embora. Fiquei lá aguardando o meu vôo que sairia às 22h35. Mas eis que mais ou menos uma hora depois recebo um email da US Airways no meu celular dizendo:

“O horário de partida do vôo # 800 da US Airways, saindo de Charlotte para o Rio de Janeiro em 24 de janeiro às 22h35 mudou. O vôo está operando em atraso devido à manutenção de aeronaves. Sua hora prevista de partida é 02h32. Como nos esforçamos de todas as formas para não nos atrasarmos, por favor esteja no seu portão conforme originalmente previsto.”

E foi só o começo. Algumas horas mais tarde, eis a situação: vôo atrasado por 4 horas, tendo sido remarcado 3 vezes. Os pilotos haviam sentido cheiro de algo estranho na aeronave e disseram que não a pilotariam. Então voaram para a Filadélfia para buscar outra aeronave. A estimativa era de que eles chegariam em Charlotte às 5h30, horário do Brasil, mas não era certeza. Eu corria o risco de perder minha conexão com a TAM no Rio de Janeiro. No portão de embarque, o caos era total: restaurantes fechados, crianças cansadas e chorando por todos os lados, pessoas estressadas falando alto, todos reclamando e dizendo que nunca mais voariam com a US Airways, mães gritando e dizendo que seus filhos não tinham comida ou cobertor (era inverno), brasileiros reclamando dos americanos, a companhia aérea mudando as informações a toda hora… Meu corpo de grávida de 8 meses doía por completo, fora o stress. Pedi para a US Airways um lugar para eu descansar. Me levaram para um portão com cadeiras normais, ainda desconfortáveis, mas pelo menos não havia ninguém por perto.

Às 2h30 a US Airways disse que o tempo estimado de partida agora era 4h00. Eu Naquele momento eu havia oficialmente perdido o meu vôo de conexão Rio-São Paulo, pois nunca chegaria ao Rio em tempo de pegar o vôo para São Paulo.

E justamente quando eu achei que nada mais poderia dar errado, a atendente da US Airways diz que minha bagagem deveria ser retirada no Rio, passar pela Alfândega e fazer novo check-in na TAM. Ok, então uma grávida pegando (lê-se “levantando peso”) e carregando pelo aeroporto duas malas grandes, um carrinho de bebê e uma cadeirinha de carro? Aí você pensa: “Pede ajuda, oras!”. E eu te digo: “Deixa eu terminar minha história, Poliana!”.

Às 4h00 finalmente partimos para o Rio de Janeiro após, pelo menos, 6 horas de espera. Dentro do vôo, o stress continuou. Tivemos umas turbulências chatas, daquelas que o avião dá uma boa caída e você sente que só ficou na poltrona por causa do cinto de segurança. Ao meu lado estava um casal e um bebê no colo da mãe, e não me esqueço da mãe segurando o filho com toda força em seus braços e orando para aquilo tudo passar. Pensei: “Nossa, que desespero! Quando eu viajar com meu filho vou comprar uma poltrona pra ele. Viajar com ele no colo, nunca! Que perigo!”

Chegando ao Rio, fui buscar as minhas malas, carrinho de bebê e cadeirinha de carro. As pessoas olhando, olhando… mas sem oferecer ajuda. Me virei para um homem que estava ao meu lado de braços literalmente cruzados, só observando todo o meu esforço, e perguntei: “Você pode me ajudar?”, e ele descruzou os braços e ajudou, silencioso, sem o mínimo sorriso no rosto.

Passada essa fase, começou o stress das remarcações de vôo das pessoas que haviam perdido suas conexões. Eu esperava um novo vôo com a TAM, parceira da US Airways, mas me surpreendi quando me colocaram num vôo da Gol. Então pedi para voar com a TAM num horário mais cedo e o funcionário US Airways me disse: “Já demos o seu nome pra Gol e agora você é cliente deles, tem que falar com eles”. Cansada, querendo ir pra casa, com o corpo de grávida de 8 meses todo dolorido, me dirigi ao balcão da Gol. Lá o stress atingiu nível máximo. Consegui um vôo que sairia em 15 minutos. Ótimo, mas precisava correr. Mas aí a atendente disse que eu não poderia voar sem autorização do médico. Mostrei a autorização que eu tinha da minha médica americana. Ela então me disse que não poderia aceitar porque estava em inglês e ela não falava inglês! Pensei: “Imagina na Copa e nas Olimpíadas! O Galeão não tem funcionários preparados para attender estrangeiros”. Ela não queria deixar eu embarcar de jeito nenhum e ficou segurando a minha passagem. O relógio não esperava, ele não parava. Pedi uma solução rápida, ela se estressou e levantou a voz comigo, falou até palavrão. Como a Gol contrata uma pessoa dessas para atender ao público, me diz? Pedi para chamar um supervisor e ele apareceu. Ela falava mal de mim pra ele na minha frente. Imagina uma pessoa baixa! Era ela. O supervisor mandou ela ficar quieta, leu a minha autorização médica e me liberou. Mas nisso eu tinha apenas 5 minutos pra atravessar todo o aeroporto do Galeão a pé até chegar no portão de embarque. Perguntei se havia um carrinho ou alguma coisa do tipo para me levar lá e eles disseram que não. Ao invés de chorar (não tinha tempo pra isso), comecei a correr. Literalmente. Isso mesmo, uma grávida de 8 meses correndo pelo aeroporto com malas de mão. Cheguei no portão sei lá como. As portas estavam fechando. Implorei e consegui entrar. Vale lembrar que a essa altura, a minha barriga estava dura como pedra e eu sentia dores tais como contrações.

Cheguei em São Paulo e minha santa prima estava lá para me buscar. Que alívio o pesadelo ter acabado!

Três dias depois recebi um email da US Airways me oferencendo 75 dólares de “indenização” pelo atraso no vôo de Charlotte. Esse valor só poderia ser aplicado na compra de outra passagem com a US Airways. Hahahaha! Faça-me rir!

Também entrei em contato com o Atendimento ao Consumidor solicitando o estorno do pagamento dos 85 dólares que tive que pagar para despachar o carrinho do bebê. Alguns dias depois, o dinheiro estava de volta na minha conta sem questionamentos.

US Airways? Nunca mais. Viajar grávida? Nunca mais. São muitos os contratempos e stress e, realmente, não valem a pena caso você possa viajar em uma situação diferente e melhor. Eis a minha experiência.

Besitos procês.

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