Cidades americanas New York

Como é morar em Commack, New York

Quando leio depoimentos como este abaixo da Emma Pantoja, residente em Commack, New York, fico emocionada. Me emociono porque me sinto privilegiada em ter pessoas como ela se abrindo para mim e para vocês aqui no blog, dedicando horas e horas de seu precioso tempo para compartilhar suas experiências conosco, nos inspirando e ensinando. A vida é realmente generosa quando nos dá a oportunidade de conhecermos pessoas como ela, com histórias parecidas com a minha, com a sua… ou contando sobre algo que você sempre sonhou, mas que nunca teve o empurrãozinho necessário para seguir em frente.

A Emma mora em Commack, no estado de New York. Não vou falar muito sobre a cidade porque ela já nos dá detalhes bem interessantes. Mas para quem gosta de números, clique aqui para saber mais sobre Commack.

Vamos lá? Boa leitura! E MUITO obrigada, Emma!

Beijos, Carol

Commack

Alfinetinho vermelho indicando a localização da cidade de Commack 🙂

Commack, NY

Costumo chamar a minha história de “A Cinderela Moderna de Commack – NY”. 🙂 Acho que todo ser humano é impulsionado por seus sonhos e não sou diferente. Desde os 14 anos de idade quando vim pela primeira vez de férias à Disney, me encantei pela América. Desde então, sempre sonhei com uma casa com gramado verde, sem muros, uma família linda e unida. E foi com essas intenções que vim para cá.

Saí do Brasil aos 22 anos, deixando para trás pais, irmãos, uma faculdade de Turismo incompleta e um emprego em uma companhia aérea. Para todos eu dizia que era uma temporada de aprendizado, mas para mim significava ir atrás da vida que sempre sonhei!

Primeira parada: Tampa, uma cidade no estado da Flórida, pertinho de Orlando. Quando cheguei, um amigo da família me aguardava, abriu as portas de sua casa e arranjou meu primeiro emprego. Cheguei numa sexta-feira e na segunda-feira já fazia parte da turma da faxina. Sim, deixei tudo para trás no Brasil para limpar casas aqui. Não me arrependo e ainda me orgulho disso porque foi nessa época que aprendi a “ser gente”, amadureci, passei raiva, chorei e ganhei amigos pra vida toda!

Quanto à minha adaptação à nova cultura e ao idioma, no começo foi difícil. É natural sentir saudades da sua cultura, das suas raízes, povo e língua. Mas já cheguei preparada para isso. Portanto, minha adaptação não foi tão dolorida como é para muitos. No início eu não entendia nada de inglês, mas fui educando o meu ouvido, escutando e aprendendo a pronúncia; mas falar era difícil. Passados 2 anos morando aqui eu já entendia tudo, mas não me expressava bem. Fui aprender a falar mais e melhor com a convivência diária com os americanos quando me mudei para New York City (mais adiante falarei sobre essa mudança de cidade). Até hoje erro feio em algumas palavras e conjugações. É um aprendizado constante. De vez em quando meu marido fala uma palavra nova que nunca escutei por não fazer parte do vocabulário do dia a dia, e assim vou aprendendo.

E por falar na minha convivência com os americanos, digo que minha opinião sobre eles mudou muito desde que vim morar nos Estados Unidos. Somos educados nas escolas brasileiras a sempre ter uma pontinha de raiva dos americanos, sempre pensando que eles querem tudo, são frios, se acham os donos do mundo. Aqui no dia a dia aprendi que eles não são frios; apenas a cultura é diferente da nossa. Eles são unidos, a comunidade se ajuda muito, são patriotas. É claro que há exceções, mas a minha visão sobre eles mudou um pouco. Vi um lado que não conhecia quando estava no Brasil. Eles são bastante generosos e se ajudam entre si.

Pois bem, já mencionei que acabei me mudando para New York City… Então, chegou um tempo em que a Flórida ficou pequena pra mim. Depois de 3 anos eu queria mais, queria liberdade de locomoção com a tão sonhada carteira de motorista (que o estado da Flórida não dá para ilegais) ou pelo menos queria morar em algum lugar onde o sistema de transporte público funcionasse de verdade. Decidi tentar New York, essa cidade que nunca dorme e que te abraça com esse sistema de metrô tão incrível (sujo, porém eficiente – rs). Empacotei tudo e vim rumo à Grande Maçã (Big Apple). Chegando aqui, trabalhei como garçonete em um restaurante mexicano e depois como governanta para uns milionários do Upper East Side – Manhattan. Morava em Astoria, um bairro no condado de Queens que é o reduto da comunidade brasileira; mas foi na comunidade mexicana que me senti em casa.

Nesse meio tempo conheci meu marido em um site de namoro. Ele é um cara batalhador; começou a trabalhar muito novo, foi crescendo na vida aos pouquinhos. Não foi fácil no início porque ainda rolava a barreira do idioma; meu inglês não era perfeito. Ele foi paciente e com a convivência o meu inglês foi melhorando. O relacionamento foi ficando sério. De repente, em um dia frio e nevoso, ele se ajoelhou no meio do Central Park e me pediu em casamento. Começava aí a saga da Cinderela Moderna. Minha vida mudou tão rápido! Deu um giro total. Para quem chegou limpando casas, agora eu me casava com um sargento da polícia de New York (na época, pois hoje ele é, orgulhosamente, Capitão). Deixei de limpar casas para ter a minha própria casa. Logo vieram os gêmeos Tyler e Juliet, meus gringuinhos brasileiros. Com o nascimento deles, parei de trabalhar e hoje sou uma dona de casa orgulhosa (as feministas que me desculpem! – rs).

Para aqueles que pensam que só me casei por um Green Card, sinto informar que antes tive a oportunidade de me casar com um nicaraguense que já era cidadão americano. Foi em meu marido que encontrei minha fortaleza, respeito e o homem que preza a família em primeiro lugar. Não é homem de festas, bares e baladas; ele gosta de restaurantes e passeios culturais.

Ao me casar, me mudei para Long Island. Jamais passei por qualquer preconceito por parte da família do meu marido — que me aceitou e sempre me tratou bem — ou por parte de quaisquer outros americanos na minha região.

Moro em Commack, no condado de Suffolk. Para entender um pouquinho da geografia de New York, são 5 condados que formam New York City: Manhattan, Brooklyn, Bronx, Staten Island e Queens. Os condados de Nassau e Suffolk ficam logo atrás de Queens. O condado de Suffolk, onde fica Commack, é considerado Long Island, mas não pertencemos às limitações de New York City.

Commack

Commack fica a 50 minutos de carro de Manhattan, sem trânsito, ou 1 hora e meia com trânsito. Outra opção para ir a Manhattan é o trem, que leva entre 1 hora e 1 hora e 20 minutos, dependendo se vai parando muito nas estações. Commack é calmo, um lugar ótimo para criar filhos, e com distrito escolar excelente — principalmente quando se tem um filho autista, como o meu Tyler; ganho todos os serviços que ele merece sem tirar um tostão do bolso.

Entretanto, morar em Commack pode ser um pouco solitário. Aqui é um reduto americano e não tem uma comunidade brasileira. Você também precisa de carro para ir aos lugares e fazer as suas coisas. Quando sinto falta do calor brasileiro ou da comida, pego o trem e vou até Astoria. Lá vou ao Rio Bonito Market comprar produtos brasileiros ou ao Copacabana Restaurante comer uma comidinha caseira.

New York é isso: um misto de cidade grande rodeada de cidadezinhas suburbanas; um estado com as quatro estações do anos bem definidas em que posso tanto ter o sossego de um quintal grande em casa, como posso pegar um trem para andar por Manhattan. Long Island é cheio de cidadezinhas interessantes, uma do lado da outra, oferecendo o que há de melhor sem que precisemos nos deslocar a New York City. Temos Huntington VillageBabylon Village com restaurantes e bares top de linha; também Northport, com seu vilarejo charmoso, marina e praia calminha; há ainda as fazendas de uvas, os vinhedos de Aquebogue e Hamptons, onde os nova-iorquinos desfrutam do verão.

Eu não costumo frequentar pontos brasileiros ou ter amigos brasileiros por aqui. Ao meu redor há apenas americanos e é nesses lugares em que passo meus fins de semana quando não estou por Manhattan. O meu canal New York by Emma Pantoja no YouTube mostra bem isso: minha vida entre o subúrbio e New York City. Mostro pontos turísticos de Manhattan, mas também mostro o que acontece em um dia comum em minha casa. Criei o canal para servir de ponte entre meu país e os meus filhos, para que amigos e familiares acompanhassem o crescimento deles e conhecessem a nossa vida do lado de cá. Com o tempo, porém, pessoas desconhecidas foram se inscrevendo no canal, pois também queriam saber como é a vida na América. Hoje faço vídeos para familiares, amigos e desconhecidos curiosos. Procuro me diferenciar dos outros canais que falam de imigração e vida de recém-chegado, focando mais em passeios, lazer, boa comida e estilo de vida americano. Se a minha história despertar sonhos em outras pessoas, o canal já terá valido a pena; pois se eu consegui realizar o meu sonho, qualquer um pode conseguir realizar o seu; basta correr atrás e não desistir na primeira caída.

Se me perguntarem sobre o que mais sinto falta do Brasil, digo que, além do pai e da mãe, sinto falta das comidas regionais. Sou do norte do Brasil, morei em Rondônia e Amazonas, e a culinária dessa região me faz falta. Também sinto falta de bolos brasileiros. O povo no Brasil dá muito valor ao Buddy Cake Boss, etc, mas não sabe que o sabor não chega aos pés do nosso bolo brasileiro sempre fofinho, gostoso e não parecendo um isopor como os daqui, que são bonitos por fora e horríveis por dentro. Além disso, sinto falta das ceias e festas de fim de ano.

Não está em nossos planos mudar para o Brasil. New York é a minha casa e sou feliz aqui. Quando fui ao Brasil em 2011, me senti um peixe fora d’água.

Brasileiros que pensam em mudar para a América, eis o que tenho a dizer. Quando eu me mudei pra cá, eu sabia das dificuldades que iria enfrentar, mas tudo valeu a pena. Faria tudo de novo. Jamais me arrependi de ter deixado a minha pátria. Digo isso não porque casei com americano; antes mesmo de casar eu já havia sentido o prazer de estar aqui, de ver as coisas funcionando, a segurança, a infraestrutura local… tudo isso já me fazia pensar que valeu a pena vir para cá. Quando saí de lá, o Brasil ainda não estava nessa situação atual. Vendo o desespero de quem está lá é uma confirmação de que fiz a escolha certa. Aliás, nunca duvidei disso.

Emma Pantoja

Commack

Commack

Commack

Commack

Commack

 

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29 Comments

  • Reply
    Natália Nunes
    18/12/2015 at 11:37

    Emma é uma fofa… Amo os vídeos dela. Desejo de todo meu coração sucesso pra ti e felicidade. Família linda, estória linda, enfim você merece tudo de melhor. Um beijão minha querida.

  • Reply
    Marcia Nogueira
    26/12/2015 at 13:20

    Emma é simpática, seus vídeos são bem expressivos, gosto muito!parabéns.

  • Reply
    Sabrina Moura
    04/01/2016 at 00:28

    Que história linda! Que família linda! Parabéns pela garra e determinação Emma.

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    05/03/2016 at 16:10

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    28/07/2016 at 16:03

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    01/08/2016 at 13:05

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    11/08/2016 at 15:44

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    12/08/2016 at 15:00

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    16/08/2016 at 16:39

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    13/09/2016 at 13:18

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    06/03/2017 at 15:29

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    13/10/2017 at 22:38

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    13/10/2017 at 22:45

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