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Como ajudar uma família americana em luto

Neste post estão listadas sugestões sobre como demonstrar solidariedade e ajudar, na prática, uma família que acabou de perder um ente querido. A razão de eu falar em “família americana” é porque as ações abaixo são bastante comuns entre os americanos diante de um cenário de luto. Mas mesmo que você more no Brasil e não tenha contato com americanos, sugiro fortemente a leitura abaixo para se inspirar e aplicar algumas dessas ações no Brasil.

Sugestões práticas de apoio a uma família em luto

Doações

É comum amigos, parentes e familiares iniciarem uma vaquinha ou crowdfunding em websites como o GoFundMe para ajudar com as despesas do funeral, hospital ou outra despesa relacionada com o falecimento do ente querido. Qualquer pessoa pode acessar o site e não é necessário conhecer a família para fazer doações. Quando a família não precisa de ajuda financeira, muitas vezes a campanha é aberta para que doações sejam feitas em nome de/homenagem ao falecido, mas destinadas a uma causa ou entidade. Procure se informar se foi aberta uma campanha e, em caso negativo e você sendo uma pessoa próxima da família, ofereça-se para iniciar uma.

Ajuda financeira

Dependendo da sua intimidade com a família, você pode tomar a iniciativa de pagar as contas dela até que o primeiro momento do luto passe e as coisas comecem a se estabilizar. Guarde os recibos para que possam te reembolsar depois.

Não pode ajudar financeiramente? Ajude com a papelada do seguro ou organizando as contas.

Refeições

Logo após a perda de um ente querido, é difícil pensar em cozinhar. Se puder, ajude a organizar refeições para a família. Cozinhe você mesmo e entregue refeições completas. Outra opção é doar comidas congeladas, principalmente para quando as pessoas pararem de doar comidas feitas na hora. “Gift cards” de restaurantes que fazem delivery também é uma boa opção, até porque as pessoas talvez não tenham vontade de sair de casa para frequentar restaurantes numa situação dessas. Exemplos de gift cards:  Send A Meal e Munchery (este somente para a área da Baía de San Francisco, New York, Los Angeles ou Seattle).

Itens de mercado

Imagine perder uma pessoa e ter que ir ao supermercado no dia seguinte. Difícil, não? Ajude com itens de necessidade básica e diária, como leite, pão, ovos, quem sabe até papel higiênico. Se a sua dispensa estiver cheia, doe algumas caixas de produtos de preparo rápido, como um simples Mac’n’cheese (macarrão de preparo rápido).

Aqui nos Estados Unidos usa-se bastante pratos, copos e talheres descartáveis, principalmente quando são feitas festas e reuniões em casa e as pessoas querem evitar lavar a louça. Doe alguns desses produtos e tenha a certeza de que a família ficará muito grata, pois a última coisa que eles têm vontade de fazer no momento é se preocupar com louça, seja aquela usada na recepção do funeral em casa, ou nos dias subsequentes.

Flores ou árvore

Doe flores ou árvores para serem plantadas em homenagem ao falecido. Se possível, inclua uma placa com o nome da pessoa que poderá ser colocada aos pés da árvore quando plantada. Exemplos: Seeds of Life, The Comfort Company, The Trees Remember.

Presentes em homenagem à vida do ente querido

Um presente, personalizado ou não, para homenagear a vida do ente querido é uma opção. Alguns exemplos (clique nos links): Things Remembered, Life Tributes, Personalization Mall, Heart to Heart Sympathy Gifts, The Comfort Company, FTD. Você pode enviar pelo correio ou entregar pessoalmente.

Cartas ou cartões escritos à mão

Se você não for muito próximo e não puder fazer uma visita, uma boa opção é enviar cartões ou cartas escritas à mão expressando as suas condolências.

Serviços

Ajude com serviços do dia a dia, como limpar a casa, cortar a grama, lavar a roupa, passear os cachorros, comprar remédios, checar a caixa dos correios, colocar a lata de lixo na calçada, buscar as crianças na escola, etc. Pequenas atitudes significam muito. Atenção: algumas atividades — como limpar a casa e lavar as roupas — são “sensíveis” e podem precisar de algum tipo de autorização, pois os familiares talvez não queiram mexer no “cenário” deixado pelo falecido há apenas poucos dias, ou não queiram, naquele momento, lavar a roupa que ainda contém o cheiro dele. São coisas pequenas mas que podem significar muito para quem ainda está processando o luto.

Cuidando das crianças

Se há crianças na família, ofereça para levá-las para fazer alguma atividade fora. Não será apenas bom para as crianças, mas também para os adultos da família que precisam de tempo para cuidar dos assuntos relacionados com o funeral e tantos outros, ou apenas para processar o luto.

Caso as crianças estejam intimamente ligadas com a perda do ente querido, lembre-se que o luto delas é diferente, mas ele existe. Elas precisam de atenção, de carinho, de sentir que são amadas. Presentes, gift cards e cartões são sempre bem-vindos — não apenas logo após a perda, mas nas datas importantes que seguem, como aniversários e Natal. Vou exemplificar com o caso da menina de 3 anos que perdeu a mãe e contei aqui no blog; sabendo que ela gostava da personagem Elsa (Frozen), escrevi para a Disney, que logo enviou uma foto assinada pela personagem para o endereço da garotinha. A avó dela não tinha palavras para me agradecer! –> Para saber como fazer isso, leia o meu post “Cartão postal do personagem favorito da Disney“.

Funeral

Nos Estados Unidos, quando uma pessoa morre, pode demorar vários dias até que ela seja enterrada. Antes disso, sempre há uma papelada para cuidar e muito dinheiro para gastar, pois hospitais, funerais, cemitérios, etc, aqui são caríssimos. Segundo informações do website Parting, um enterro chega a custar algo em torno de 7 e 10 mil dólares, enquanto a cremação custa 3 mil dólares.

Via de regra, o processo comum de enterro numa família cristã (70% da população americana é cristã) segue assim: há o velório, uma cerimônia religiosa na igreja, o enterro, tudo seguido de uma festa para as pessoas se reunirem, comerem, celebrarem a vida do falecido, reverem fotos e, muitas vezes, inclusive rir relembrando o ente querido. Se você puder, participe desse processo, ou pelo menos de uma parte dele. A família nunca esquecerá o seu esforço em estar presente e prestar uma última homenagem. Se não puder comparecer, talvez por ser muito longe ou mesmo por falta de dinheiro, no mínimo, envie um cartão de condolências.

Não pergunte; faça!

Não ofereça uma ajuda generalizada, do tipo: “Está precisando de algo?”. A pessoa não vai saber nem por onde começar a te responder, acredite. Também não diga “Se precisar de alguma coisa, me ligue”, pois ela não vai te ligar. Ela não vai te ligar não porque ela não precise, mas porque talvez não tem nem forças para ligar, ou porque não quer incomodar, ou por estar deprimida. Seja incisivo: “Estarei na sua casa toda segunda-feira às 8 da manhã para colocar a lata de lixo na calçada”. Seja consistente e se certifique de que realmente você estará na casa da pessoa toda segunda-feira às 8 horas.

Outro tipo de pergunta que você pode fazer para ajudar: “Estou indo ao mercado. O que posso trazer para você?”. As chances da pessoa se sentir um peso/incômodo serão poucas, afinal, você já estava indo ao mercado e não custa nada levar algo para ela, certo? Outro tipo de pergunta: “Fiz strogonoff. Quando posso ir aí te levar um pouco?”. Novamente, o strogonoff está feito e não há incômodo algum. Entende aonde estou querendo chegar?

Se você tiver liberdade dentro da casa da pessoa, vá até lá, comece a limpar, ajude a cozinhar, leve as crianças para passear. De qualquer forma, seja pró-ativo e não reativo.

Tente manter esta rotina de ajuda de forma consistente e pelo maior tempo que puder. A consistência ajuda a pessoa que está de luto a poder contar com você sem ter que ficar te pedindo. De qualquer forma, mantenha-se sempre aberto: “Se precisar de qualquer coisa, é só me pedir”.

Prepare uma cesta

Presenteie com uma cesta de condolências contendo lenços de papel, um livro de orações, um livro com palavras positivas, calmantes naturais, chás, vela com aromas calmantes, CD com músicas relaxantes, um presente em homenagem ao ente querido (na mesma linha do que sugeri alguns itens acima), chocolate, frutas. Alguns exemplos:  Healing Baskets, Gourmet Gift Baskets, Gift Basket Village.

Quando a família prefere ficar só

Quando visitas não forem uma opção num primeiro momento, não deixe de demonstrar seus sentimentos quando a poeira baixar. Seja seis semanas ou seis meses depois, faça-se presente com um telefonema ou uma visita. Às vezes, o simples fato da pessoa ter o número do seu telefone escrito num papel na porta da geladeira já é um alento, uma lembrança de que ela não está sozinha e pode te ligar se precisar conversar.

Movimente a comunidade

Como já falei no post “O que fazer com roupas usadas?“, o americano é solidário e tem um senso de comunidade muito forte, pois ele sabe que hoje está acontecendo com você, mas amanhã pode ser com ele. Lembram quando contei a história abaixo?

No começo de 2015, uma mãe faleceu num acidente de carro a 15 minutos da minha casa, deixando o marido e duas crianças pequenas. O pai das crianças fazia faculdade em meio período e no outro meio período trabalhava. Com o falecimento da esposa, a renda da família desabou, pois ela ajudava no sustento da casa. Para piorar, os gastos com o funeral são exorbitantes e ele não tinha condições de cuidar de tudo sozinho. Ele perdeu o chão. A comunidade se sensibilizou e se mobilizou. Iniciaram uma vaquinha virtual e também começaram a levar doações na casa da família. Eu mesma fui até a casa deles, sem ao menos conhece-los, e deixei duas caixas com roupas, brinquedos e comida para as crianças. Aconteceu com eles, mas poderia ter acontecido com qualquer um. “Façamos aos outros o que gostaríamos que fizessem conosco”, pensei.

Fiquei sabendo da história porque uma das mães do grupo de mães do qual participo postou uma mensagem no Facebook pedindo ajuda para a família. Não somente eu, mas muita gente que não os conhecia acabou ajudando. Então, se você fizer parte de um grupo, peça alguma forma de contribuição à família em necessidade. O processo de luto é bastante solitário e ver a comunidade envolvida pode ajudar a passar por ele.

luto

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4 Comments

  • Reply
    Andrea
    28/04/2016 at 19:53

    These are wonderful ideas that need to be followed. Thank you for sharing.

    • Reply
      Carol Mendes
      28/04/2016 at 20:36

      Thank you very much. I hope this will inspire Brazilians and Americans in the US, but mostly Brazilians in Brazil.

  • Reply
    Alessandra Almeida
    28/04/2016 at 22:17

    Que interessante, Carol! Muito bom o texto!

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