Cidades americanas Washington

Como é morar em Mill Creek, Washington

AVISO: NESTE BLOG NÃO APOIAMOS E NEM DISCUTIMOS QUALQUER TIPO DE SITUAÇÃO ILEGAL DE ESTRANGEIROS NOS ESTADOS UNIDOS.


Mill Creek, Estado de Washington, láááá na costa oeste, fronteira com o Canadá. Sim, é bem longe mesmo.  Não conheço a cidade pessoalmente, mas encontrei uma brasileira super bacana que nos fez um super favor contando como é a vida por lá. Vamos à leitura do texto abaixo, escrito pela Juliana Crestani?  🙂 Jú, um beijão e muito obrigada pela colaboração!

Mill Creek

Mill Creek, WA

Olá a todos, sou Juliana Crestani e moro em Mill Creek, estado de Washington, com meu marido, cão e filho. Mill Creek é uma cidade pequena, localizada há aproximadamente 20 milhas ao norte da cidade de Seattle. Moramos em Mill Creek há quase 1 ano e desde que passamos pela primeira vez por aqui, nos apaixonamos e ficamos. Embora faça parte da região metropolitana de Seattle, Mill Creek pertence ao condado de Snohomish. Já Seattle, pertence ao condado de King.

Mill Creek é uma cidade tranquila e extremamente bem organizada. Diferentes de outras pequenas cidades na redondeza de Seattle, a população de Mill Creek é formada em sua maioria, por americanos nativos (70% dos moradores). A cidade é basicamente composta (50%/50%) de casais aposentados e casais jovens com filhos, com idades entre 1 e 18 anos. Na questão de escolaridade, segundo os dados do censo, aproximadamente 95% dos moradores completaram a High School (ensino médio) e, aproximadamente 50% dos moradores possuem nível superior de ensino. No centro de Mill Creek há uma grande diversidade de restaurantes locais (maravilhosos). Também temos 3 supermercados próximos, um postal office (correios), uma biblioteca e uma livraria. Tudo isso a “walking distance” (distância de caminhada razoável). Nos finais de semana sempre caminhamos até o centro para almoçar, passear e ir na academia. Como mencionei, a cidade é muito organizada e nos finais de semana sempre tem alguma atividade diferente no centro.

Como é uma cidade pequena, não temos tudo o que precisamos perto, então acabamos indo ao shopping e a restaurantes maiores em cidades vizinhas, tais como Lynnwood e Everett. Outro ponto bom da nossa cidade é que ela está localizada próxima a duas “highways” (rodovia), o que possibilita uma escolha para ir até Seattle. Vale ressaltar que o trânsito até Seattle é bem ruim em ambas as highways… (risos), mas depois de morarmos em São Paulo por anos, acabamos por aceitar o trânsito daqui numa boa. Meu marido vai de carro até Seattle todos os dias, pois ele trabalha no centro da cidade. Também tem opção de ônibus até Seattle, o que sempre ajuda. Ah! E o sistema de transporte público da região metropolitana de Seattle é muito bom. Quem tiver interesse em saber mais, clique aqui.

O clima nesta região é bem conhecido pelas famosas chuvas do inverno. São praticamente 6 meses de chuva. Todo mundo que conheci falava que tínhamos que nos cuidar para não nos deprimirmos no inverno. Eu, sinceramente, não achei o inverno daqui tão ruim como todos falavam. Ano passado, chegamos aqui no mês de abril e vimos alguns dias chuvosos e alguns dias de sol, com temperaturas entre 11 a 21 graus Celsius. Porém, em maio os dias começaram a ficar mais bonitos e nos meses de junho a agosto, quase não choveu. No verão o clima é bem agradável, com temperaturas entre 18 a 28 graus Celsius. Normalmente não faz um calor exorbitante, mas ano passado, pela primeira vez tiveram alguns dias com mais de 30 graus Celsius. De agosto a outubro, os dias começam a ficar mais frios, mas não chove muito, e as temperaturas ficam entre 18 e 10 graus Celsius. Na minha opinião, a pior época vai de novembro a fevereiro, onde as temperaturas ficam abaixo de zero graus (mas não menos que -4oC). Realmente só chove neste período. E no ano passado tivemos 2 dias de neve na véspera do ano novo. 🙂 Falando em neve, toda a nossa região é rodeada por montanhas com neve. A montanha mais próxima de Mill Creek fica somente ha 1 hora de carro. Em janeiro, é possível ir até a montanha, passar o dia e voltar. Isso é muito legal. Se preferir mais diversão, claro que pode-se dirigir até Vancouver, na província de British Columbia, no Canadá e ir nos famosos resorts durante a estação de esqui. Vancouver fica a 200km de distância de Mill Creek e em 2h30min você chega lá. Ou seja, tem opções super legais para evitar a tristeza das chuvas! 🙂

Bem, para explicar como nos mudamos para cá, vou contar um pouquinho da nossa história juntos. Eu e meu marido nos conhecemos em um vôo, de São Paulo a San Francisco, em 2009. Sentamos um ao lado do outro no avião e, como era minha primeira viagem internacional (para um congresso em Monterey, na Califórnia), ele se prontificou a me ajudar quando chegasse lá. Na época, eu não falava nada em inglês e estava super insegura com tudo, então aceitei a ajuda. Ainda demoramos alguns meses para começarmos a namorar, mas em 2016 já vamos comemorar 7 anos juntos. 🙂 Meu marido mora e trabalha nos EUA desde 2001 e já é naturalizado americano. No início, em 2009, eu morava em Porto Alegre-RS (PoA) e ele tinha casa temporária em São José dos Campos-SP, onde moram os filhos dele do primeiro casamento. Eu fazia a ponte aérea PoA-SP quase todas as semanas…e ele fazia a ponte aérea SP-San Francisco quase todos os meses (na época trabalhava na área de Baía de San Francisco, na Califórnia). Em 2010 eu fiquei por 6 meses em San Diego, na Califórnia, depois voltei para PoA e terminei meu doutorado. Em 2012 consegui um pós-doutorado na USP e me mudei para São José dos Campos-SP. Como meus enteados ainda eram muito novinhos (6 aninhos na época), resolvemos montar nossa casa em São José dos Campos e aguentarmos um pouco mais para a mudança definitiva para os EUA. Meu marido continuava nas viagens internacionais, quase todos os meses. Em 2014 passei mais 6 meses em San Diego, onde oficialmente nos casamos e começamos o meu processo do Green Card. Neste meio tempo, meu marido começou a trabalhar na Amazon, mas ainda continuava trabalhando “remoto”, fazendo inúmeras viagens a Seattle, e eu ainda finalizando meu trabalho na USP. Em 2015 meu visto de esposa (K3) ficou pronto, antes do Green Card, e conseguimos nos mudar para Seattle (finalmente). Meus enteados, agora com 10 anos (são gêmeos), passaram por todo o nosso processo de mudança com muita tranquilidade e compreensão. Atualmente eles passam todas as férias escolares conosco, super felizes, como eles mesmo dizem: “na nossa casa em Seattle”. 🙂

Eu me considero uma pessoa de fácil adaptação a lugares e situações, portanto não tive problemas para me adaptar na nova vida aqui. Acho até que teria problemas em voltar e me adaptar novamente no Brasil… (risos). A vida aqui é bem segura e confortável e eu sou muito grata por morar aqui. Eu falo com minha família praticamente todos os dias por Skype ou Facetime, então a saudade fica menor. E o contato com amigos é mantido pelo WhatsApp e por e-mail. Eu sinto falta mesmo de um chimarrão (coisas do sul do Brasil) e de um bom churrasco. Tirando isso, eu me viro bem por aqui. Até pão de queijo eu faço aqui; graças as dicas da Cris Maxwell (leia “Como é morar em Redlands, Califórnia“). Eu nunca fui em nenhum mercado ou restaurante de comida brasileira por aqui, mas sei que eles existem: Kitanda, The Grill From Ipanema e Novilhos Brazilian Steakhouse.

Sou cientista, da área de Biologia Celular e Molecular. Atualmente não estou trabalhando aqui, pois como nosso pequeno acabou de nascer, decidi ficar com ele em casa por, no mínimo, 1 ano. Esta foi uma opção que acabei fazendo principalmente porque aqui praticamente não existe licença maternidade paga. Ano passado, logo que chegamos aqui, eu engravidei, então acabei desistindo de procurar um emprego, pois teria que colocar meu filho na creche (daycare) com poucos meses de vida. Após este período com ele, pretendo submeter currículos e procurar algo em Institutos de pesquisa da região, ou mesmo tentar algo na Universidade de Washington, localizada em Seattle.

Em relação à cultura americana e aos americanos, minha opinião nunca mudou. Eles possuem uma cultura diferente da cultura brasileira, a qual deve ser respeitada. Eu gosto do patriotismo americano e estou sempre tentando aprender sobre os costumes, tradições e sobre política. Eu acho importante entrar no “esquema” de vida deles, afinal você vai precisar disso para, no mínimo, conversar com eles. Eu mantenho as tradições brasileiras na nossa casa e já incluí todas as tradições americanas no nosso dia a dia. Acho super divertido!

Os americanos são diretos e práticos no jeito de lidar com as pessoas e com as situações. Sentimentalismo não é muito o forte deles e eu gosto disso, principalmente no trabalho. Desde a primeira vez que vim para os EUA eu fui bem tratada pelos americanos (americanos nativos), mas conheço pessoas que sofreram discriminação. Cada estado americano é diferente e, em alguns lugares, os estrangeiros realmente não são bem vindos. Digamos que neste ponto eu tive muita sorte. Na Califórnia, convivi com muitos indianos e asiáticos, os quais são bem diferentes dos americanos. Mas aqui na cidade de Mill Creek eu convivo somente com americanos. Temos também casais amigos brasileiros morando em outras localidades da região metropolitana de Seattle e às vezes nos reunimos, curiosamente, para celebrar datas comemorativas americanas. 🙂

Para quem tem vontade de vir morar aqui, sugiro primeiro uma visita. Mas venha com olhos de futuro morador e não de turista. Depois pesquise tudo a respeito do local. Não se iluda, achando que aqui tudo é mais fácil. Muitas coisas que os brasileiros estão acostumados a ter (e geralmente não dão valor) não existem aqui, tais como o SUS, férias de 1 mês (ou mais), feriados em quase todos os meses do ano, seguro desemprego, 13o salário, licença maternidade paga, etc. Faça as coisas corretamente e saiba esperar pacientemente pelos processos americanos, os quais são corretos e justos (nada de jeitinho brasileiro). Aqui é o país deles, temos que respeitar as decisões deles. Também acho que a pessoa que pretende morar fora do país de origem (qualquer país), deve primeiro fazer uma reflexão interior sobre adaptação, dificuldades e principalmente “saudade”. Existem pessoas que não conseguem lidar com tudo isso, e varia de pessoa a pessoa. Conheço pessoas que vieram para os EUA e para localidades da europa e voltaram pro Brasil falando super mal daqui, mas no fundo, são pessoas que ficam melhor adaptadas em suas cidades de origem, sem muita variação de cultura. Isso é normal e deve ser avaliado e respeitado também. Não venha no impulso.

Seattle, WA

Agora um pouco sobre Seattle, uma cidade que me surpreendeu desde o primeiro dia que pisei aqui:

Ano passado, chegamos aqui e, antes de adquirirmos nossa casinha em Mill Creek, fomos morar por 3 meses no centro de Seattle. “Seattle downtown” é uma daquelas cidades grandes com jeitinho de pequena. Você consegue visitar todos os lugares legais à pé. Se você quer conhecer Seattle, pegue um hotel no centro da cidade e pronto! Diferente de outras cidades grandes nos EUA, aqui você não vai precisa de carro para visitar a cidade. Inclusive, para ir do aeroporto ao centro da cidade tem um “light rail” (baratinho). Somente se quiser ir para outras localidades, ou para o Canadá, ou para Portland, no estado de Oregon, você vai precisar de carro. Para visitar Seattle, traga um bom par de tênis, uma mochila para as guloseimas e pronto, você vai aproveitar pra caramba! Além do famoso Space Needle, o qual tem uma estrutura maravilhosa ao redor (museus, cinemas 4D, atividades infantis, praça de alimentação), a cidade conta com um aquário lindo; um porto com navios fazendo viagens diárias para a Ilha de Victoria, no Canadá, e também para outras ilhas próximas; um mercado público que cheira a peixe (como todos os mercados públicos… – risos), mas que tem um grande comércio de flores lindíssimas, as quais eu nunca tinha visto na vida (e isso que sou bióloga!); vários lagos lindos para passear; o primeiro Starbucks do mundo; e também uma seleção de restaurantes locais maravilhosos. Quando chegamos, eu não esperava tudo isso, mas Seattle me conquistou. E recomendo fortemente um passeio por aqui. Mas lembre-se: venha no período de maio a setembro, ou traga um casaco com capuz, pois em Seattle ninguém usa guarda-chuva!!! 🙂 🙂 🙂

Juliana Crestani

Mill Creek

Mill Creek

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Mill Creek

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