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Como é morar em Anchorage, Alaska

AVISO: NESTE BLOG NÃO APOIAMOS E NEM DISCUTIMOS QUALQUER TIPO DE SITUAÇÃO ILEGAL DE ESTRANGEIROS NOS ESTADOS UNIDOS.


O que você sabe sobre Anchorage, no Alaska? Aliás, o que você sabe sobre o Alaska (ou “Alasca”, em português)? Sendo bastante honesta, sempre soube pouca coisa. Sei das belezas naturais e da fascinante vida animal, graças a programas de televisão. Também já assisti o filme Into the Wild (“Na Natureza Selvagem”, em português), sobre a história de um jovem que largou tudo para viver uma aventura no Alaska. Jewel, uma das minhas cantoras favoritas, passou boa parte de sua vida em Homer, Alaska, e diz ser lá que se sente em casa. Mais recentemente, soubemos de uma história triste que ocorreu por lá em 2010: Candice Berner, professora, irmã de um amigo de infância do meu marido, morreu vítima de lobos enquanto fazia sua corrida rotineira perto do Chignik Lake. Candice mantinha um blog com fotos lindas e impressionantes de sua vida no Alaska (inclusive suas primeiras fotos são de Anchorage).

Mas há muuuuito mais para se saber sobre a vida no Alaska e encontrei uma brasileira super bacana, a Verônica, que nos fez a gentileza de contar como é a vida dela em Anchorage, no estado do Alaska.

Apenas uma curiosidade geográfica antes de lermos o texto da Verônica: você sabia que o Alaska faz parte dos Estados Unidos mas não faz divisa com os outros estados americanos, mas sim com o Canadá? Na verdade, ele é um pedaço dos Estados Unidos fora dos Estados Unidos! Também faz divisa marítima com a Rússia. Aliás, em 1867, esse pedaço de terra que hoje é o maior estado americano, foi vendido pelo Império Russo aos americanos. Interessante, não?

Anchorage

Agora vamos à leitura?  🙂

Carol


Anchorage, Alaska

Oi, meu nome é Verônica, tenho 20 anos e moro em Anchorage, Alasca há um pouco mais de um ano. Sou uma pessoa extremamente ansiosa e instável (sim, muito instável). É uma batalha comigo mesma terminar algo que eu começo, então posso afirmar que a ideia de ter uma família sempre me assustou, porque eu não sabia se ia dar conta. A minha história é a seguinte: minha sogra (viúva) conheceu o marido atual dela pela Internet. Na verdade, ela queria conhecer alguém pra bater um papo, coisa e tal, mas eles se apaixonaram (e ele é do Alasca). A notícia foi um choque pra todo mundo porque achávamos que no Alasca só tinha iglu e esquimó, então  como é que a Internet tinha chegado nesse cara? (risos) Descobrimos um tempo depois que há “civilização” pelo Alasca (gente normal, de calça jeans e tudo mais). 🙂 Ela veio para cá visita-lo algumas vezes, ele foi pra São Paulo outras vezes (não se preocupem, não esquecemos de dar caipirinha e feijoada pra ele) e eles se casaram. Meu namorado (moramos juntos há uns 4 anos já, então chamo de marido hahaha) era menor de 21 anos na época que eles casaram, o que fez com que ele entrasse na mesma documentação que a minha sogra. Como sempre foi um sonho morar fora, decidimos que viríamos pra cá. Uma semana antes de vir, descobri que estava grávida. Eu estava feliz, mas não conseguia colocar as coisas no lugar, senti medo, senti felicidade, senti que eu seria uma péssima mãe por causa da minha mania de desistir de tudo no meio do caminho. Comecei duas faculdades no Brasil e parei as duas pela metade (Relações Internacionais e Administração). Eu trabalhava com Contabilidade e pouco antes de vir pra cá trabalhei no fim do ano no shopping pra juntar mais dinheiro. Aqui eu sou “stay-at-home mom” (mãe em tempo integral) e foi uma das melhores decisões da minha vida, porque o tempo voa, quero ver meu filho crescer e graças a Deus meu marido consegue cuidar de tudo sozinho.

Em relação à minha adaptação aqui, está sendo tudo maravilhoso. Meu inglês era fluente quando cheguei, então não tive problemas, apenas aprendi algumas coisas novas. A comida é bem diferente, mas tenho minha sogra que sempre faz arroz e feijão (que eu amo!). Uma coisa bem diferente do Brasil é que por aqui as mulheres sempre tem os bebês de uma forma bem natural. Há muitos “birth centers” (tive meu filho em um) e isso foi um pouco que um choque pra mim quando cheguei, pois achava que faria uma cesárea e ficaria por isso mesmo. Aprendi muita coisa sobre parto natural e, inclusive, gostaria de me formar doula, mas como já disse, minha instabilidade emocional não me deixa (hahahaha).

Como eu havia comentado, eu achava que aqui só tinha iglu e esquimó, mas o pessoal daqui é normal! Acreditem, minha gente! Normal mesmo! (risos) O Alasca é um lugar onde as pessoas gostam muito (leia-se MUITO MESMO, TIPO, VIVEM POR ISSO) da natureza e ar livre. Adoram escalar, pescar, caçar, andar de bike, essas coisas que eu — que vim de São Paulo — odeio (hahahaha). Na cidade onde moro tem bastante gente mais velha. Acho que a galera se aposenta e vem morar aqui. Também tem muito samoano e havaiano (samoanos são da ilha de Samoa, eles parecem bastante com os havaianos). Em termos de escolaridade, depende bastante: o pessoal havaiano e samoano geralmente é morador de rua, tem muito problema com bebida alcoólica, passagens pela polícia e essas coisas, então lugares como Walmart é onde eles arrumam emprego… Mas tem muita gente estudada por aqui também! Anchorage é a cidade com mais aviões per capita. O pessoal tem avião pequeno (tipo teco-teco) que pousa na água, e são usados para ir e voltar do trabalho, porque é mais rápido. Aqui tem 300 mil habitantes.

Eu achava que americanos fossem rudes, mal educados e… bom, eu estava terrivelmente enganada! Eles são extremamente acolhedores e tratam você como família sempre! Eu não esperava que fosse ser tão bem recebida aqui. Achei que fosse ter muito preconceito (por ser latino americana) mas aqui tem gente de tudo quanto é canto (tem bastante filipino também). Americanos são “Jack of all trades” (eles fazem TUDO), consertam casa, carro, barco…

Na minha opinião, acho ótimo que o pessoal seja bem ligado com a natureza, gosta de fazer as coisas ao ar livre… Mas gostam tanto da natureza que querem “fumar” ela! (hahahaha) Aqui a maconha é legalizada. Não sei se sou a favor ou contra isso; do meu ponto de vista materno, sou contra. Não tenho argumentos contra meu filho; do ponto de vista social, acho melhor ter maconha na loja do que traficante na rua. Enfim… Um dos pontos negativos do Alasca é ser um estado muito afastado, são 22 horas de vôo para o Brasil e não tem vôo direto pra lá.

Aqui é quase impossível se locomover sem carro. Temos ônibus, mas só um pessoal bem estranho (geralmente moradores de rua) andam de ônibus. Não temos metrô e o ônibus demora cerca de uma hora pra passar no ponto. Até dá pra ir a pé em alguns lugares dependendo de onde você mora. No bairro que moro agora, eu consigo… Mas vou me mudar logo e vai ser bem difícil, por ser mais afastado (quanto mais afastada a pessoa estiver da cidade, maior a chance de ver ursos, alces e vida selvagem em geral.

Aqui reparei uma coisa que eu nunca tinha visto no Brasil: a diferença nítida de estações do ano. No verão é bem quente. A sensação térmica é bem diferente, faz 20 graus, mas parece 35 (em São Paulo que é bem úmido). Na primavera, tudo é super florido, o pessoal coloca vaso de flor no jardim todo e na frente das casas (acho um charme). No outono (que eu detesto, pois tem que ficar varrendo folha) tudo cai, todas as folhas e as árvores ficam bem secas. É lindo, mas também bem trabalhoso (se não varrer as folhas, quando chega o inverno elas apodrecem por baixo da neve, ficam molhadas e nojentas). O inverno é frio, mas nunca passei frio aqui, pois os carros, as casas, os estabelecimentos comerciais, etc, tudo é equipado com aquecimento. A temperatura mais baixa no último inverno foi -34 graus Celsius.

Bom, eu sou mãe, então minha programação é sempre cuidar do bebê e da casa. 🙂 Mas quando saímos (temos um motorhome) geralmente vamos pescar. Aqui é bastante conhecido pela pesca de salmão e halibut.

Há muita coisa legal de se fazer. Em Anchorage tem um museu ótimo pra todas as idades (Anchorage Museum), tem um glacial muito legal (eu acho incrível pisar no glacial, fui várias vezes e não me canso!)… Em Thunderbird Falls tem uma cachoeira linda! Seward é uma outra cidade linda com uma lojinha que vende vários sabores maravilhosos de fudge, e é onde tinha a famosa corrida de Iditarod (não sei se ainda fazem). Em Seward também tem um aquário muito legal (Alaska Sealife Center) onde eles deixam você passar a mão em vários bichos do mar… Witthier é uma cidade onde todo mundo mora no mesmo prédio e tem um museu  (Witthier Museum) que fala bastante sobre o terremoto de 1964 que devastou muita coisa por aqui. Um fato interessante: temos muitos terremotos por aqui, e é importante que tenhamos vários durante o ano para que a carga dele não seja acumulada e de repente tenhamos um muito forte! Às vezes, nem sentimos… Em Anchorage temos “The Tony Knowles Coastal Trail“, a trilha costeira mais linda do mundo, na minha opinião. É uma trilha bem grande ao redor da praia. Temos várias auroras boreais no inverno e é o fenômeno natural mais bonito que já vi na vida! Se vierem no inverno, procurem por auroras boreais (geralmente tem uns apps, tipo previsão do tempo) e, se vierem no verão, tem um lugar em dowtown (centro) com apresentações de vídeos e fotos todo dia.

Conheço alguns brasileiros aqui. Tenho mais contato com uma moça que me ajudou muito no enxoval do meu filho porque ela tem 3 meninos, o marido dela é americano, ela já morou na Alemanha e em San Diego, mas ama aqui. Ela é amiga da minha sogra. Todo mundo que vem morar aqui não quer mais mudar.

Não encontro quase nenhum produto do Brasil! Água de coco e suco de laranja falam que foi feito com frutas brasileiras, mas produzidos aqui. Encontro pão de queijo congelado no Costco, mas é produzido aqui também.

Não temos restaurante de comida brasileira. Vivo morrendo de saudade de comida mineira, churrasco, maracujá, pastel, goiaba, linguiça, mandioquinha.

Também sinto falta de praia. Aqui não temos praia com areia e mar, que dá pra entrar na água e curtir… A água é congelante e, ao invés de areia, temos pedrinhas na praia.

Não quero voltar a morar no Brasil. Eu gosto daqui, gosto de como as coisas funcionam. Não temos saúde pública, mas quando você vai no hospital eles te dão o maior desconto se você não tem seguro saúde, deixam você pagar em anos a perder de vista, e te tratam muito bem. Eu me sinto segura para sair à noite. Não vou mentir e dizer que não tem criminalidade, eu sei que tem; mas você pode deixar sua bolsa aberta no mercado que não vão te roubar. As crianças andam sozinhas na rua, sem medo nenhum. O dinheiro dos impostos vai para construções, melhorias na cidade, saúde, educação, segurança… e o povo vê que é pra lá que vai mesmo! Deve ter corrupção; deve ter mesmo! Mas é insignificante perto das outras qualidades.

Um conselho? Se puder, more aqui. Se não puder, visite. É organizado, as coisas funcionam, o salário é justo, as pessoas tem um poder de compra justo, tudo aqui funciona. É ridículo como as pessoas no Brasil passam por dificuldades desnecessárias!

Curiosidade: temos 24 horas de luz solar no verão! 🙂

Verônica

AnchorageAnchorageAnchorageAnchorageAnchorageAnchorageAnchorageAnchorage

Anchorage

Meu sogro americano (Martin), minha sogra (Célia), eu (Verônica), meu filho (Francesco) e meu marido (Fabrizio)

 

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