Cultura Americana Dicas para quem mora nos EUA

Como fazer amizade com americanos

Fazer amizade com americanos é difícil?

Muitos brasileiros (e até alguns europeus) reclamam do “distanciamento” e frieza do americano e acham que fazer amizade com americanos é difícil. Esse sempre foi um assunto que me intrigou, pois moro aqui há mais de 4 anos e nunca tive problemas. Sempre me senti acolhida e parte da comunidade, não tendo o dissabor de conhecer esses pontos negativos dos quais algumas pessoas falam.

Uma coisa é fato: os americanos são mais reservados e quietos que os brasileiros e a forma deles iniciarem e até manterem uma amizade é diferente. Eu disse “diferente” e não difícil ou impossível. Se você está tendo dificuldades, talvez seja porque não está se adaptando ao estilo de vida americano, o que não chega a ser um problema, mas apenas um indicativo de que, se você quiser viver neste país, terá que se contentar com seus amigos latinos. Agora, se você está decidido em se enturmar com os americanos, o sucesso dessa amizade vai depender de ambos os lados, claro; mas muito deverá partir de você mesmo.

Primeiro de tudo, você tem que entender que:

  • quem escolheu vir pra cá foi você (ninguém te obrigou);
  • quem tem que se adaptar ao estilo de vida americano (sem tentar muda-lo) é você;
  • quem deve se esforçar para se comunicar em inglês é você;
  • quem deve se esforçar para participar da comunidade é você;
  • quem deve estudar e aprender sobre história e leis americanas é você (para entender de onde este país veio e por que funciona como funciona);
  • quem deve buscar entender por que o americano age e pensa assim ou assado e respeitar tais diferenças, é você.

“Se há algum segredo de sucesso, ele consiste na habilidade de apreender o ponto de vista da outra pessoa e ver as coisas tão bem pelo ângulo dela como pelo seu.” (Henry Ford)

Americano tem preconceito em relação a brasileiro?

Pela minha experiência de convívio em 4 estados americanos diferentes, respondo: NÃO. Os americanos acham os brasileiros interessantes e bonitos, para dizer o mínimo, e têm muita curiosidade sobre o Brasil. É claro que brasileiros baderneiros e mal educados não são bem vistos, e em lugares onde há muitos brasileiros sem noção juntos a possibilidade de baderna aumenta. Isso é ruim. É válido mencionar que os americanos não odeiam os brasileiros que imigram para cá, nem mesmo os ilegais. O que acontece é uma frustração pelo fato do governo oferecer alguns benefícios a esses ilegais que nem mesmo o americano tem acesso. Eles também não ficam nem um pouco felizes quando imigrantes ilegais cometem crimes dentro dos Estados Unidos. Não vou me alongar nesse assunto porque não tem relação com o presente texto mas, se tiver curiosidade, leia a proposta de Donald Trump quanto à reforma na imigração.

Primeiro de tudo acho que é importante entender que, de forma geral, americanos não têm preconceito contra brasileiros. Na verdade, acho que tem muito mais brasileiro falando mal de americano do que americano preocupado com brasileiro. Infelizmente há professores em escolas brasileiras que há muito tempo ensinam a garotada que americanos são maldosos, preconceituosos, materialistas, acham que têm o rei na barriga e desprezam qualquer estrangeiro, principalmente após o atentado de 11 de setembro. A própria mídia brasileira é tendenciosa e ajuda na formação desse “pré-conceito” do brasileiro em relação ao americano. Se quer saber a minha opinião pessoal pelo que ouço por aí, o que mais existe é preconceito de brasileiro em relação a americano mesmo, e não o oposto.

Assim, meus amigos, relaxem. Abram a mente. Mudem algumas posturas e a amizade com o americano será algo possível na vida de vocês.

Entendendo o americano

“Em lugar de condenar os outros, procuremos compreende-los. Procuremos descobrir por que fazem o que fazem. Essa atitude é muito mais benéfica e intrigante do que criticar; e gera simpatia, tolerância e bondade.” (Dale Carnegie)

Patriotismo e senso de comunidade

Antes de tudo, vamos compreender que o americano é patriota e tem muito orgulho de seu país e sua bandeira — e isso parece incomodar muito brasileiro. A impressão que tenho é de que incomoda por ser algo desconhecido e não familiar; afinal, no Brasil não somos patriotas e não temos a mínima ideia do que gera um sentimento desse. Tudo bem! Cada povo com a sua história. Mas não deixemos que o desconhecido nos incomode, quando na verdade ele pode ser muito interessante. Patriotismo não é defeito. Não tem essa de “americano é patriota demais”. Cada país tem a sua história, as suas lutas internas, a forma como foi construído. Isso deve ser respeitado, mesmo que você não concorde. Se não houver este entendimento, os planos de fazer amizade com um americano podem morrer por aí.

O senso de comunidade do americano é enorme. Apesar das pessoas viverem as suas vidas de forma individual, quando “o bicho pega”, a comunidade inteira se move para ajudar a pessoa que estiver em necessidade, pois hoje é a pessoa X que está em dificuldade, mas amanhã pode ser você.

“Onde fica o Brasil?”

Americanos têm o rei na barriga e acham que só os Estados Unidos existem? Olha, no Brasil eu me lembro de estudar bastante a geografia e a história dos Estados Unidos na minha época de escola. Mas aqui o americano não estuda o Brasil da mesma forma na escola; os países aos quais eles dão mais atenção são outros. Além disso, muitos americanos nunca visitaram a América do Sul, pois pra eles é mais barato  comprar um pacote de viagem para o México ou América Central do que América do Sul (além daqueles lugares serem geograficamente mais perto dos Estados Unidos, portanto, as viagens são mais curtas). A mídia televisiva americana também não fica falando de Brasil tanto quando o Jornal Nacional fala dos Estados Unidos. Resumindo, pouco se sabe de Brasil por aqui, o que não quer dizer que o americano é ignorante. E se você conversar com um americano que teve mais chances de viajar e de estudar assuntos além daqueles ministrados na escola, ele saberá que a capital do Brasil é Brasília e que nosso idioma é o português. E não pense que esses americanos são poucos! Quando me mudei pra minha casa atual, meu vizinho veio se apresentar e me dar as boas-vindas. Ao saber que sou do Brasil, me falou sobre suas viagens ao Rio de Janeiro e tantas outras experiências no país. Passadas algumas semanas, veio me trazer dois livros de pintores brasileiros (que eu nem conhecia) que ele tinha em casa e achou que seriam ótimos presentes para mim. Já meu sogro, que é cientista político, me dá aulas e aulas de Brasil, me contando coisas que nem eu mesma sabia. Então generalizar e dizer que americano é ignorante pode ser um grande erro e exagero. Mas é verdade que as crianças e adolescentes aprendem muito pouco sobre o Brasil na escola.

Sabe, conheço um monte de famílias lá do interior do meu estado de São Paulo que nunca saíram das suas cidades, não sabem nada sobre outros países (nem localização), mas são felizes assim. Isso é ruim? É um defeito? É ter o rei na barriga? É se achar melhor que os outros? Não cabe a mim nem a você julgar, ainda mais se a pessoa é do bem, é feliz, não faz mal a ninguém. Só porque ela não pensa como a gente?

Enfim, aqui tem americano que conhece bem pouco sobre outros países mesmo, mas isso não quer dizer que são fechados; no processo de desenvolvimento de amizade com um americano desse você pode ter a oportunidade de falar mais sobre o Brasil, nossa cultura, apresentar nossas comidas (sem forçar)… e ele pode se interessar ou não. De qualquer forma, não se sinta ofendido, pois não é pessoal.

Dicas práticas para fazer amigos

1) Se você é do tipo que espera as pessoas se aproximarem de você para iniciar uma amizade, se fica encarando e/ou mexe com mulher bonita na rua, se não sai do seu universo brasileiro para viver como um americano, realmente será muito difícil sair do mesmo lugar. Mude essa postura.

2) Americanos são independentes por natureza. Se quer alguma coisa, deve trabalhar para conseguir tal coisa. Ninguém te serve as coisas numa bandeja nem sente pena de você por não compreender isso.

3) Ser sincero não significa ser mal educado; o brasileiro muitas vezes fala a verdade na cara dura, sem medir direito as palavras, sem pensar nos sentimentos do ouvinte. Para o americano, isso pode soar bastante grosseiro e até te afastar de algumas pessoas. Não seja tão crítico, não coloque as pessoas pra baixo e use as palavras mais gentis que conhecer para expressar a sua mais “sincera” opinião. Gentileza e doçura, sempre!

4) Saia da sua zona de conforto de amigos brasileiros e latinos.

5) Saia e se divirta como se tivesse nascido nos Estados Unidos, vá a lugares frequentados por americanos. Essa atitude talvez mudará a forma com que as pessoas te vejam. Afinidade e interesses em comum são muito importantes na construção de uma amizade.

6) Não force amizades; tudo tem o seu tempo de desenvolvimento.

7) Nas conversas, tente falar sobre assuntos que sejam do interesse do ouvinte.

8) Quando houver divergências, evite que estas se transformem em discussões. Não seja impulsivo; ouça em primeiro lugar; acolha as discordâncias; procure áreas de concordância; diga que pensará a respeito; agradeça pela oportunidade da conversa.

“Há uma magia, uma magia positiva em frases como esta: ‘Posso estar errado. E frequentemente estou. Vamos examinar os fatos’.” (Dale Carnegie)

9) Procure ver as coisas sob o ponto de vista da outra pessoa — de forma honesta e sincera.

10) Não viva na defensiva; seja receptivo às ideias alheias.

11) Atitudes como furar fila, passar na frente dos outros sem pedir licença, falar muito alto, ouvir música alta (principalmente de madrugada) não são bem vistas. Se ainda faz algum desses, mude imediatamente.

12) Elimine a palavra “fofoca” do seu dicionário e da sua vida. Não fale da vida dos outros.

13) Converse com as pessoas, muitas e sempre que puder. Se elas não te derem bola, não leve a rejeição para o lado pessoal. Primeiro você tem que conhece-las. Os americanos têm diversos amigos “casuais” e somente 2 ou 3 amigos bem próximos. Primeiro você tem que aprender e aceitar a conviver com “conhecidos” de forma não muito profunda, e uma hora ou outra as amizades mais profundas vão se desenvolver. Se você está buscando por amizades íntimas logo de cara, essa sua atitude vai assustar as pessoas.

14) Fale sempre com seu vizinhos. Tente manter um bom clima entre você e seus vizinhos, seja os do lado, de cima ou de baixo. Ofereça ajuda, deixe seu telefone caso eles precisem de alguma coisa. Você pode se surpreender com o relacionamento que pode se desenvolver a partir daí.

15) Se você tiver filhos, procure por grupos de pais (há vários nas redes sociais) que se reúnem para play-dates, jungle gyms a outros encontros.

16) Americanos amam todo tipo de esportes, seja assistindo ou participando. Nisso estão incluídos assistir jogos locais, assistir aos filhos jogarem, assistir jogos na TV, fazer hiking, correr, jogar golfe, etc. Participe dessas atividades e com certeza terá a chance de interagir com pessoas bem bacanas e com interesses em comum.

17) Embora os americanos geralmente sejam amigáveis e abertos, eles também valorizam a sua privacidade e independência. Não fique muito íntimo rapidamente. Por exemplo, se te disserem: “Apareça em casa qualquer dia desses”, pode ser que a pessoa esteja apenas sendo educada e não deseje que você apareça qualquer dia desses, ainda mais sem avisar.

18) Americanos gostam de receber amigos em casa, sim; mas isso deve ser feito mediante convite, de forma planejada, nunca inesperadamente. Também não é incomum as reuniões de amigos terem hora para começar e acabar.

19) Não fique pegando/tocando na pessoa ao falar e mantenha uma distância (digamos, 60 centímetros). Se você perceber alguém se distanciando um pouco de você, não se sinta ofendido e muito menos insista em se aproximar da pessoa. Acredite: não é nada pessoal. Americanos precisam de espaço.

20) Por mais complicado que pareça o nome da pessoa, esforce-se ao máximo para pronuncia-lo da forma correta. Na dúvida, peça que a pessoa te ensine como pronuncia-lo corretamente e siga praticando. Pode parecer bobagem, mas faz uma grande diferença para quem está buscando uma amizade, já que o nome é uma das coisas mais importantes que a pessoa tem na vida.

21) Valorize o tempo da pessoa e saiba a hora de se retirar: “Bem, vou deixar você ir, não quero mais tomar o seu tempo”. E vá embora. Não fique enrolando.

22) Caso seja convidado para qualquer atividade, chegue no horário (talvez 5 minutos antes ou 5 minutos depois). Chegar muito cedo ou atrasar pode passar a impressão de desrespeito. Se estiver atrasado por causa do trânsito, por exemplo, telefone, explique a situação, e comunique um horário estimado em que pretende chegar.

23) Não encare. Nos Estados Unidos, encarar uma pessoa é extremamente rude.

24) No início do desenvolvimento de uma amizade, não pergunte idade, salário, se a pessoa tem ou não filhos (e se não tem, não pergunte o porquê).

25) No ambiente de trabalho é possível fazer amizades, mas também não é muito fácil ter um relacionamento fora do escritório, pelo simples fato de que geralmente as pessoas moram longe umas das outras e têm que fazer “commute”. Isso pode ser um obstáculo para quem idealiza estender o relacionamento do trabalho para algo mais pessoal, do tipo “um frequentar a casa do outro”. Novamente: difícil, mas não impossível!

Haja como um americano!

  • dê cartões de agradecimento, aniversário, Natal, “get well”, etc;
  • dê uma lembrancinha aqui e outra acolá para demonstrar agradecimento ou que você simplesmente estava pensando na pessoa;
  • ajude com pequenas atitudes despretensiosas, como levar o latão de lixo da calçada para o jardim do vizinho, limpar as folhas caídas no jardim do vizinho ou se oferecer para dar comida e água para o cachorro se o vizinho for viajar;
  • sempre, sempre, sempre fale “excuse me”, “thank you”, “I am sorry”, “please”; se achar que está exagerando, continue falando (acredite, nunca é exagero); 🙂
  • aplique em sua vida o segredo do sucesso do diplomata americano Benjamin Franklin: “Não falar mal de nenhum homem… e falar tudo de bom que souber de cada pessoa”.

“Se quisermos conseguir amigos, coloquemo-nos à disposição de outras pessoas para fazer por elas certas coisas, coisas que requeiram tempo, energia, desprendimento e meditação.” (Dale Carnegie)

A forma como você trata é a forma que será tratado

  • seja gentil (sempre);
  • converse com as pessoas;
  • pergunte se elas estão bem;
  • seja bem humorado;
  • seja interessado na vida delas; faça perguntas e ouça a respostas de forma sincera;
  • seja sempre prestativo, ajude e também peça ajuda;
  • compreenda, tolere e não julgue;
  • não leve tudo tão à sério, nem mesmo em relação a si próprio;
  • sorria;
  • não critique;
  • use palavras de incentivo, SEMPRE.

Onde fazer amizades?

  • Igreja –> Os frequentadores da igreja normalmente fazem programas/eventos em grupo, jantam uns nas casas dos outros, enfim, são verdadeiros grupos de apoio de onde podem se formar sólidas e verdadeiras amizades.
  • Grupos e locais de mesmo interesse (academia, futebol, dança, ioga, cursos de culinária, grupos de mães, grupos de hikers, etc)
  • Vizinhos
  • Grupos ou eventos da comunidade em redes sociais como o Facebook (grupos de pessoas da sua cidade, de esportes, mães, artesanato, etc) e Meetup (clique aqui para saber mais sobre o Meetup).

Por que não consigo ter uma amizade tão forte como a que tenho/tive com meus amigos no Brasil?

Muito provavelmente porque está em outra fase da sua vida, além do fato  das vivências e cultura serem bem diferentes. Você fez amigos de infância, de colégio, de faculdade, de bairro… brincaram com os mesmos brinquedos, ouviram as mesmas músicas, riram das mesmas piadas, torceram para o mesmo time de futebol… O americano também fez tudo isso, com os amigos dele daqui, com as brincadeiras, piadas, músicas e times e esportes daqui. Daí na hora desse brasileiro e desse americano se relacionarem, eles devem focar na construção de uma amizade nova, sem comparações com o passado e aceitando que a forma ou grau dessa nova amizade poderá vir a ser diferente — não melhor nem pior, mas apenas diferente. Se ficar buscando uma amizade igual a que tinha no Brasil, acabará sozinho, solitário e deprimido.

Depoimentos

Gabi Schreiner (estado da Califórnia)

“Olha, quanto às minhas amigas do trabalho, o interesse delas não é nada mais que a minha companhia, sair pra uma caminhada, comer alguma coisa. Inclusive pessoas que estão numa posição mais alta que a minha (chefe) também me chamam pra fazer isso e aquilo; acontece muito. Então tem um certo grau de amizade no ambiente de trabalho. Sou casada com americano e sou amiga de duas esposas de amigos do meu marido, tipo de sairmos juntas sem os maridos. Mas isso porque há afinidade entre nós, pois de repente poderia não ter. Na faculdade nós até trocamos mensagens e tal, mas não saio com o pessoal porque nossos horários não batem, todos têm horários de trabalho diferentes, tem vidas e interesse diferentes pra pode se encontrar e sair. Os meus vizinhos são super amigáveis, mas eu não passo muito tempo em casa, então não tenho como desenvolver uma amizade. Mas de forma geral não me sinto excluída ou fechada, vejo todos muito abertos e não tenho problemas em fazer amizades aqui. Também frequento a academia e fiz amizades lá com as pessoas que fazem as mesmas aulas que eu. Não sei se é porque sou muito sociável e sorrio pra todo mundo ou se aqui o pessoal é mais amigável que em outras áreas, pois sei que tem brasileiros em outros lugares que reclamam da dificuldade em fazer amizade com americanos. 

Agora, tem aquele brasileiro que vem pra cá querendo comer feijão com farinha todo dia, ouvir pagode nas alturas e tratar o vizinho como se fosse irmão. Infelizmente essa não é a cultura daqui, e nós temos que nos adaptar, pois foi a NOSSA escolha vir pra cá. Claro que dá pra comer um feijão aqui, ouvir um pagode numa festa, chamar o vizinho pra um jantar… mas essas são pequenas exceções brasileiras que ocorrem no nosso dia a dia americano. A mesma coisa com a amizade: tem que ser natural e começar de um ponto em comum dos dois lados. E tem que ter um esforço dos DOIS lados. É fácil chamar americano de fechado enquanto você não se esforça em se adaptar aos costumes deles, né?”

Cris Maxwell (estado da Califórnia)

“Fazer amizade aqui não é igual fazer amizade no Brasil, por exemplo, as pessoas se encontram no barzinho e se tornam amigas. Aqui a amizade é entre o pessoal que trabalha na mesma empresa, ou que estudou na faculdade, que estudou na high school, ou seja, vem de algum lugar em comum. Acho que aqui é mais difícil fazer uma amizade “do nada” como a gente faz no Brasil. Se o americano não souber realmente de onde você vem ou passar a te conhecer um pouco melhor, ele não se abre. Os amigos americanos que tenho são de se contar nos dedos. A maioria são latinos.

A afinidade é outra questão. Você precisa ter afinidade com a pessoa. Você vem de outra cultura, o que já é difícil, mas e você tiver uma idade mais avançada as coisas complicam um pouco mais na hora de fazer amizade. Se você vem pra cá mais novo, acho que é mais fácil fazer amigos. Com a idade, você vai ficando mais seletivo na hora de fazer amizades.”

Verlene Moura (estado da Georgia)

“Os americanos são cordiais, porém nunca vêm na casa da gente, no máximo chegam na varanda de casa. Sempre querem saber sobre o nosso país. O nosso vizinho pediu uma bandeira do Brasil para colocar na janela dele (risos). Sim, lá tem uma bandeira americana e uma brasileira. Quando a gente viaja, eles ficam de olho na nossa casa. São super discretos e respeitam demais a privacidade de cada um. Uma vez passou um tornado aqui perto e derrubou a nossa tenda. O carro do meu marido não estava em casa, mas ele estava. Por achar que eu estava em casa sozinha, os vizinhos paravam na rua e buzinavam para eu sair na porta, pois queriam saber se eu estava bem e se precisava de ajuda. Eles não encostam se meu marido não estiver em casa. Os vizinhos mais próximos têm meu telefone e sempre ligam para saber se preciso de alguma coisa. Acho que as pessoas acham que os americanos são frios porque eles não vivem enfiados um na casa do outro. Mas eles vigiam a casa do vizinho sim (risos).  Nunca fomos discriminados aqui pelo fato de ser imigrante. Inclusive eles fazem questão de nos ensinar sobre a cultura deles e sempre perguntam sobre nossos costumes.”

–> Conheça o canal Minha Vida nos Estados Unidos, por Verlene Moura

Considerações finais

Se nada disso que mencionamos acima funcionar pra você, talvez você esteja num ambiente ou cidade não muito propício a boas amizades, talvez um ambiente competitivo demais, com pessoas bem individualistas  (o que existe em qualquer lugar do mundo). Às vezes até a região do país influi (no sul dos Estados Unidos as pessoas costumam ser mais amigáveis do que no norte, por exemplo). Enfim, não generalize e não perca a fé nos americanos por causa de uma experiência ou momento não agradáveis em sua vida.

Sugestão final: leia o livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas / How to Win Friends and Influence People”, de Dale Carnegie.

Boa sorte!

Carol

amizade

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13 Comments

  • Reply
    Cariza
    18/07/2016 at 16:50

    Que texto ótimo, Carol! Super completo, parabéns!

  • Reply
    Meetup: conheça pessoas com os mesmos interesses que você | Descobri a América!
    17/08/2016 at 15:34

    […] se lembram do que escrevi no post sobre “Como Fazer Amizade com Americanos” e das dicas sobre meios de se conhecer novas pessoas e fazer amigos aqui nos Estados […]

  • Reply
    Como são os americanos, segundo brasileiros nos EUA | Descobri a América!
    28/08/2016 at 12:12

    […] Leia também: COMO FAZER AMIZADE COM AMERICANOS […]

  • Reply
    Marcele Lima
    19/01/2017 at 10:05

    Carol,
    Obrigada por dividir tanto conhecimento. Estou amando ler seus textos.
    Estou indo morar em Houston em agosto desse ano, meu esposo foi transferido.
    Com suas dicas e tantos depoimentos, começa a amenizar um pouco a ansiedade.
    Um grande abraço
    Marcele

    • Reply
      Carol Mendes
      19/01/2017 at 15:31

      Ah, que bom! Fique tranquila! Boa sorte. Beijos!

      • Reply
        Vanessa Pazetti
        25/01/2017 at 14:27

        Mercele estarei indo para Houston este mês na mesma condição. Caso queira entrar em contato mande-me um e-mail: vanessa_pazetti@hotmail.com. Boa sorte!

  • Reply
    Carol
    30/03/2017 at 14:44

    Amo Dale Carnegie, já identifiquei na primeira frase, rsrs. Acredito que me adaptarei aos hábitos, mediante a prática dos princípios que sigo “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”. Agradeço imensamente pelas dicas e acredite, não são fáceis de encontrar. PS.: estarei em Las Vegas em ago-2017, para passar temporada de 5 meses, viverei longe da badalação de Las Vegas, por isso este texto ou melhor, todo o conteúdo do seu blog foi/é muito importante.

    • Reply
      Carol Mendes
      31/03/2017 at 15:24

      Quem bom, Carol! I hope you have the time of your life! Beijos.

  • Reply
    KATIA CILENE GOULART DOS SANTOS
    05/11/2017 at 11:04

    Gostei muito do seu texto e concordo contigo.

  • Reply
    Igor Luz
    28/11/2017 at 09:49

    Muito bom! Não só a visão de uma pessoa que já teve a experiência, mas aparenta ser até especialista. Gostei demais do seu texto, bem detalhado e com dicas que serão muito úteis!

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