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Como é morar em Austin, Texas

AVISO: NESTE BLOG NÃO APOIAMOS E NEM DISCUTIMOS QUALQUER TIPO DE SITUAÇÃO ILEGAL DE ESTRANGEIROS NOS ESTADOS UNIDOS.


Austin é a capital do estado do Texas e conhecida como a capital mundial da música ao vivo. Situada no condado de Travis, é a 4a cidade mais populosa do Texas, contando com 931.830 habitantes em 2015, segundo dados do United States Censos Bureau.

Austin

A brasileira Simone, do Rio de Janeiro, mora em Austin e ai nos contar sobre a vida por lá.


Austin, Texas

Meu nome é Simone Lima, tenho 31 anos e há 4 anos moro em Austin, estado do Texas.

O que me trouxe aos Estados Unidos foi o meu marido, que é americano. Nos conhecemos pelo Facebook. Fiz um perfil na rede só para poder seguir o Information Society porque eles fariam um show no Brasil. Adicionei os componentes da banda e fiz amizade. Acabei conhecendo-os pessoalmente na época do show, entrei no camarim e tudo o mais. Da segunda vez que eles iriam ao Brasil, eu vi o Damian (meu atual marido) também adicionado porque ele é amigo de um dos integrantes da banda. Achei ele lindo e o adicionei. Enviei mensagens mas nem acreditava que receberia alguma resposta. Ele respondeu, pediu meu telefone e me ligou 5 minutos depois. Eu não falava uma palavra em inglês, então ele escrevia no Gmail, eu copiava e colava no Google Tradutor e respondia pelo telefone com meu inglês ruim. Gmail, Google Tradutor e telefone, tudo ao mesmo tempo! Isso aconteceu em julho de 2010. A partir daí passamos a nos falar sempre, diariamente, várias vezes ao dia. Em setembro de 2010 ele foi para o Brasil. Foi a primeira vez dele fora dos Estados Unidos. Conheceu minha família e perguntou para a minha mãe se poderia namorar comigo. Em 2012 eu vim para os Estados Unidos, mas de 2010 a 2012 o Damian foi ao Brasil me visitar por 6 vezes.

Vivemos bem. Temos nossas dificuldades e diferenças culturais, mas acima de tudo há muito amor. Meu marido é uma pessoa super sensível, coisa que meu ex-marido brasileiro não era. Fui traída no meu primeiro casamento, então tenho esse tipo de trauma de achar que vou ser traída a qualquer momento. Sou bastante desconfiada, mas o Damian é paciente, fala pra mim que entende a minha insegurança, não fica falando “Ah, você é ciumenta demais”, não. Diz que me entende porque se tivesse passado pelo que passei, acha que talvez agiria da mesma forma. Então é compreensivo, me dá suporte, não reclama, não joga nada na minha cara. Sempre quer me ajudar, é preocupado e cuidadoso. As diferenças existem, como quando ele fala alguma coisa em inglês e eu entendo errado e fico chateada. Meu marido é parecido com o brasileiro no sentido de ser carinhoso e não ser frio (como as pessoas falam que os americanos são). E é bastante sensível, até mais do que eu. Também é super jovem e divertido; tem 43 anos e parece que tem 18; joga videogame, é brincalhão e engraçado. Às vezes não tenho paciência para as brincadeiras, principalmente de manhã quando acordo. Ele acorda feliz, cantando, fazendo piadas e eu quero ficar na minha, quieta. Essa é uma diferença que temos. Mas amo a minha vida aqui e aprendi muita coisa com o Damian. No Brasil, quando eu morava com meu ex-marido, ele tinha empregadas, então eu não fazia muita coisa. Aqui eu aprendi a cozinhar, aprendi que ser esposa é estar presente, cuidar da casa sem achar que está sendo explorada, pois o Damian me ajuda. Não é porque eu não trabalho e ele trabalha que ele deixa eu fazer as coisas sozinha. Quando está em casa, sempre me ajuda nos afazeres. Resumindo, gosto muito da minha vida por aqui.

Meu início nos Estados Unidos foi bem difícil. Sou do tipo de pessoa extrovertida, que gosta de falar, de fazer amizades, de puxar assunto. No Brasil isso era mais fácil, mas aqui não acho tanto. No meu primeiro dia no país, saí para dar uma volta no condomínio e conhecer a vizinhança, quando passou uma senhora. Falei “bom dia” e ela não respondeu. Achei esquisito e comentei com meu marido. Ele disse que nem todo mundo era daquele jeito. Mas no Brasil é diferente! Não quero chegar a dizer que os brasileiros são invasivos, mas sim que são abertos a fazer amizades, a conversar… Hoje em dia eu não sinto mais tanta falta disso, já superei e já consigo ser mais independente nesse aspecto.

Aqui em Austin a maioria das pessoas são jovens. Austin é a cidade da música, onde tem o South by Southwest e o festival anual de música chamado Austin City Limits (ACL), que traz turistas do mundo todo. Também tem muitos mexicanos e latinos em geral. Gosto disso. Meu marido falou que se eu achei ser difícil fazer amizade aqui, seria mais difícil ainda fazer amizade em outros estados, principalmente no middle west. Meu marido veio de Chicago e falou que la é mais complicado que no Texas, então… que bom que moro no Texas!

Antes de vir para os Estados Unidos, eu achava que os americanos eram preconceituosos e racistas, e eu morria de medo de vir pra cá. E não é nada disso! Vi que tudo é muito diferente. Meu marido fala que os Estados Unidos não é um país feito de americanos, mas sim de estrangeiros, de imigrantes. E isso é verdade! Então a minha opinião sobre os americanos mudou bastante. Eles se ajudam muito, mesmo que cada um viva em seu canto. Quando alguém precisa, sempre estão ali para ajudar. São pessoas  preocupadas umas com as outras. Gosto bastante do jeito deles. Até agora não tive desgostos e não sofri qualquer tipo de preconceito.

Para mim, um ponto positivo de morar em Austin é o clima quente, que é uma maravilha. Mesmo quando o inverno se aproxima ainda é calor. Só temos 2 ou 3 meses de frio no ano e nem é tão frio. Outro ponto positivo é o jeito latino das pessoas, que eu gosto. A comunidade brasileira também é bem grande.

Já o ponto negativo, na minha opinião, são os meios de transporte. Não há muitos ônibus aqui onde moro. Eles passam de 2 em 2 horas e às 20h00 já param de rodar, então é complicado. Para eu pegar ônibus é super longe para ir caminhando até o ponto de ônibus. Em resumo, sem carro você não vai a lugar algum. O ruim é que as pessoas aqui dirigem mal e acidentes acontecem a toda hora. Eu até tenho carro, mas não gosto de dirigir, tenho um pouco de fobia. No Rio de Janeiro eu pegava ônibus e metrô pra tudo, não andava de carro, então hoje me acho um pouco presa nesse aspecto.

Quanto aos finais de semana, quando cheguei aqui íamos muito num bar chamado Barbarella, em downtown, para dançar. Era o meu lugar favorito dos finais de semana. Tivemos que diminuir a freqüência porque estamos juntando dinheiro para comprar uma casa. Hoje nossos programas são picnic, videogame, cinema…

Para quem vier visitar a cidade, recomendo o Lady Bird Lake, um lago onde as pessoas fazem stand up paddle (com aquela prancha, sabe?). As pessoas praticam o esporte enquanto admiram a vista do centro de Austin. É uma maravilha! Me lembro muito do Rio de Janeiro quando vou lá.

Tenho contato com apenas uma brasileira, a Cleusa. Não tive a sorte de encontrar brasileiros legais e já tive diversos problemas com eles. A comunidade brasileira aqui é fechada, então quando chega alguém novo rola inveja, ciúme, ti-ti-ti. Prefiro me afastar, ficar na minha, e abrir para oportunidade para fazer amizades com americanos.

Não frequento pontos brasileiros. Acho caro demais. Eles colocam os preços das comidas brasileiras lá em cima. Até entendo por se tratar de comida estrangeira, mas ainda assim acho muito caro e prefiro fazer em casa ou ir a outros restaurantes.

Para comprar produtos brasileiros vou sempre no Fiesta Mart e no Central Market. Se há outros, não sei, pois só vou nesses dois. Tem bastante coisa brasileira: farinha, pão de queijo, bombom, Bis, enfim, itens diversos.

Há vários restaurantes brasileiros, como o Fogo de Chão e o Estância Churrascaria. Gosto bastante do Boteco ATX, no centro da cidade, onde encontro coxinha, feijoada… Não sei mencionar mais nomes porque não procuro tanto por restaurantes brasileiros; prefiro experimentar sabores novos.

Do Brasil, sinto falta de tudo: da minha mãe (sempre fui super apegada a ela), meu amigos de infância (todos os meus amigos são de infância), de ter a casa cheia… de receber pessoas para tomar café da tarde, assistir novela, jogar conversa fora… Sinto falta dessa simplicidade.

Tenho vontade de voltar a morar no Brasil no futuro e meu marido até diz que poderíamos morar um período lá quando ele se aposentar. Mas, na verdade, a situação no Brasil anda tão crítica que a minha vontade era mesmo trazer os meus filhos para cá.

O conselho que tenho para o brasileiro que quer vir pra cá é: se vier pra casar, não venha pensando que vai viver no país das maravilhas porque casamento tem suas dificuldades em qualquer lugar do mundo e há responsabilidades. Se vier sozinho, a responsabilidade se multiplica. Se prepare para trabalhar pesado, se prepare para valores altos de aluguel. Ser residente (morar) e ser turista (visitar) são dois mundos diferentes. A vida real nos Estados Unidos não é uma Disneyland. Aqui a maioria das coisas são boas, mas também tem que ter muita responsabilidade. Tem que vir com a mente aberta e preparado para passar por dificuldades. A vida não será cor-de-rosa o tempo todo.

Simone Lima

Austin

Austin

Austin

Austin

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18 Comments

  • Reply
    Simone Lanoue
    03/08/2016 at 23:32

    Adorei! Obrigada pelo convite, amo let esse blog! 😍

    • Reply
      Carol Mendes
      04/08/2016 at 14:20

      Eu que te agradeço, querida! You rock! E como disseram as suas amigas, “Por mais Damians no mundo!” hehehehehe Beijo grande!

  • Reply
    Como é morar em Commack, New York | Descobri a América!
    05/08/2016 at 15:59

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    Como são os americanos, segundo brasileiros nos EUA | Descobri a América!
    05/08/2016 at 17:29

    […] Como é morar em Austin, Texas […]

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    Como são os americanos, segundo brasileiros nos EUA | Descobri a América!
    05/08/2016 at 17:29

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    Onde encontrar americanos para praticar inglês | Descobri a América!
    09/08/2016 at 14:48

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    Como é morar em Chicago, Illinois | Descobri a América!
    11/08/2016 at 15:44

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    Como é morar em Bridgeport, Connecticut | Descobri a América!
    24/08/2016 at 23:59

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    Como é morar em Selden, New York | Descobri a América!
    31/08/2016 at 00:20

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    Como é morar em Bluffton, Ohio | Descobri a América!
    31/08/2016 at 20:15

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    Como é morar em Lake Mary, Florida | Descobri a América!
    08/09/2016 at 00:36

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    Como é morar em Houston, Texas | Descobri a América!
    13/09/2016 at 14:11

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    Como é morar em Dallas, Texas | Descobri a América!
    13/09/2016 at 16:15

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  • Reply
    João Henrique
    10/12/2016 at 17:04

    Caraca aqui tem quase tudo que procuro valeu mesmo…

  • Reply
    Como é morar em Anchorage, Alaska | Descobri a América!
    06/03/2017 at 15:29

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  • Reply
    Como é morar em Minot, North Dakota | Descobri a América!
    13/10/2017 at 22:46

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  • Reply
    Flavia
    09/11/2017 at 14:04

    Olá! Gostei muito do seus comentários e gostaria de uma dica: em dezembro irei fazer um curso de três dias na escola do Texas para cegos e deficientes visuais. Gostaria de saber se você ou alguém pode me indicar uma pessoa para ser intérprete.
    Se puder me ajudar, ficarei muito grata.

    Flavia

    • Reply
      Carol Mendes
      13/11/2017 at 21:11

      Poxa, Flávia, é difícil… ainda mais porque não moro em Austin. Mas boa sorte!

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