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Como é morar em Dallas, Texas

A cidade de Dallas (1.300.092 habitantes) fica no Condado de Dallas (2.553.385 habitantes) e é a terceira mais populosa do estado do Texas. De acordo com o United States Census Bureau:

  • 42,4% da população é latina, 28,8% branca e 25% negra;
  • 74,3% são pessoas com mais de 25 anos de idade que têm nível mínimo de segundo grau completo (high school);
  • 29,7% são pessoas com mais de 25 anos de idade que têm nível mínimo de terceiro grau completo (bacharelado);
  • O valor médio da renda per capita anual (quanto cada pessoa ganha por ano) é de $27.917 dólares;
  • A percentagem de pessoas vivendo em situação de pobreza é de 24.1%;
  • A média do valor bruto do aluguel é de $852 dólares.

 

Dallas

 

A carioca Cristiane Ross mora em Dallas com o marido americano e mantém um blog e um canal no YouTube contando sobre a vida na cidade (veja os links ao final deste post). É ela quem vai falar pra gente um pouco mais sobre Dallas, sob o seu ponto de vista. Vamos ao texto da Cris?


Dallas, Texas

Quem sou e como vim parar aqui

Meu nome é Cristiane, sou carioca, moro em Dallas (Texas) e estou nos Estados Unidos há quase 5 anos.

Meu marido é americano. Casamos e moramos no Rio de Janeiro por 6 anos. Ele dava aulas particulares de inglês na Barra e no Recreio, e também de “Business English” (inglês voltado para negócios) na Shell, Petrobrás, Oi e Lojas Americanas. No final de 2011, meu sogro foi internado no hospital com câncer nos pulmões. Meu marido veio pra Oklahoma em setembro e ficou com o pai até os seus últimos dias. Em dezembro, meu sogro faleceu. Depois da perda do pai, meu marido não quis mais voltar para o Brasil. Falou que estava “home sick”, isto é, com saudades do país, da cultura e do povo americano.

Então chegou a minha vez de ficar longe da família. Vendi as nossas coisas, larguei meu emprego que amava (trabalhava numa empresa em Ipanema, tipo, vista para o mar!), me despedi dos amigos e familiares e cheguei aqui no dia 30 de dezembro de 2011.

Vida de casada com americano

O que mais amo no Mark, meu marido, é que ele me respeita como sou: brasileira. Ele aprendeu a gostar da nossa cultura, do arroz com feijão, do samba e tem orgulho em dizer que é casado com uma carioca.

Não vou dizer que tudo são flores quando você se casa com um gringo. Casamento já não é fácil, então imagina só! Não somos apenas duas pessoas distintas morando juntas; somos pessoas de personalidade, cultura, língua, passado, experiência, praticamente TUDO diferente, que se complementam, se respeitam e se amam.

A minha vantagem é que aqui é o território dele então eu não me sinto perdida.

Profissão e trabalho

No Brasil, sempre trabalhei com contabilidade. Antes mesmo de terminar o antigo 2o grau, já estava trabalhando numa empresa de contabilidade na área fiscal e amava! Crazy, I know!

Nos Estados Unidos, não estou exercendo essa profissão. Até porque minha certificação não é válida aqui e as leis também são diferentes. Fiz algumas aulas na faculdade comunitária perto de casa, mas acabei arrumando um outro tipo de emprego, afinal tinha que pagar as contas, né?

Atualmente sou um dos gerentes de uma empresa contratada pelas companhias aéreas. Sabe quando sua mala quebra no vôo e você faz a reclamação? Então, na maioria das vezes a mala vem pra gente consertar ou então mandamos uma mala nova para o passageiro. O serviço é de alcance global. De vez em quando me comunico com alguns passageiros do Brasil, pois sou a única que fala português na empresa.

Adaptação e americanos

Não tive problemas em relação à adaptação à nova vida aqui. Mesmo morando no Brasil, meu marido e eu só conversávamos em inglês e ele sempre compartilhava a cultura dele com a minha família. Comidas, gírias, expressões, costumes…

Quando cheguei em Dallas, o que mais estranhei foi o fato de não ver pessoas na rua. Lembro a primeira vez em que saí pra caminhar sozinha e fiquei apavorada. Ninguém na rua! E olha que morávamos perto de uma escola!

Outra coisa é que no Brasil estamos acostumados a abrir as janelas das casas e deixar o ar circular. Aqui as pessoas deixam tudo fechado por causa do ar condicionado. Mas eu abria todas as janelas pra economizar na conta de luz! (risos)

Sobre os americanos, sou um pouco suspeita pra falar… mas os acho bem educados. Não ficam esbarrando  em você ou te empurrando em lugares como supermercados… Sempre pedem licença para passar, falam “por favor”, agradecem, abrem ou seguram a porta de bancos, restaurantes… Outra coisa é que eles trabalham pra caramba! E são pontuais também.

Como é morar em Dallas

Mesmo Dallas não sendo uma cidade turística, é possível você encontrar pessoas de várias lugares do mundo. Pra se ter uma ideia, no meu trabalho, além dos americanos, tem pessoas da Bósnia, Guatemala, El Salvador, Paquistão, Nepal, Vietnam, Nigéria, México e Brasil (eu!). Quanto à idade, varia bastante, pois muitos vêm com a família. E a maioria sempre tem algum tipo de formação.

Para mim, o ponto positivo de morar em Dallas é não ter que acordar às 5 da manhã para chegar no trabalho às 8 e enfrentar ônibus e metrô lotados para ir e voltar do trabalho. Outro ponto positivo é que você não precisa ir no banco pra tudo, e quando precisa ir não é aquela loucura como no Rio. Até cafezinho tem aqui.

A parte negativa é que sem carro você se sente preso. Onde moro passa ônibus de hora em hora. E também moro perto de um “transit center” (rodoviária?) e do “Light Rail System” (tipo estação de metrô) mas em algumas partes não passa transporte público algum. O trânsito aqui também pode ser ruim na hora do rush, mas nada comparado com o do Rio.

Quanto ao clima, o inverno não é tão rigoroso se comparado com os outros estados. Já o verão é extremamente quente. E o pior: sem praia! (risos)

Nos finais de semana vamos a cinemas, restaurantes, shoppings… Meu marido gosta mesmo é de pegar a estrada e dirigir por aí.

Para quem estiver pensando em visitar Dallas, recomendo o Dealey Plaza, local histórico no centro de Dallas onde o ex-presidente Kennedy foi assassinado, onde também fica o The Sixth Floor Museum (museu sobre Kennedy, seu assassinato, seu legado). Depois, sugiro visitar o estádio do Dallas Cowboys, ver a cidade no topo do Reunion Tower, visitar o Aquário de Dallas (Dallas World Aquarium) e conhecer o Stockyards em Fort Worth.

Brasileiros e Brasil

Cheguei a frequentar algumas igrejas brasileiras e conhecer outros brasileiros em Dallas. Além das igrejas, tem os “meet ups” que acontecem de vez em quando. Alguns se reúnem em restaurantes para assistir jogos ou durante o carnaval. No início de setembro tivemos o Festival da Independência.

Quanto a mercados com produtos brasileiros, ouvi falar de um chamado Kiosk Brazil. Mas consigo achar algumas coisas no Fiesta Mart, um supermercado hispânico. Até chuchu, pão de queijo e massa para pastel já comprei lá.

Já restaurantes brasileiros, aqui tem o Fogo de Chão, Texas de Brazil, Blue Charcoal, Brazilian Cowboy… Mas o nosso favorito é o Vila Brazil.

Sinto muita falta da família no Brasil, porém no momento não penso em voltar pra lá. Do futuro, nunca sabemos! Nossos planos não são os mesmos dos planos de Deus.

Três conselhos para quem quer morar nos EUA

Para o brasileiro que sonha em vir pra cá para mudar de vida, aconselho:

  • Não venha com a intenção de ficar ilegal. Vir como turista é completamente diferente de morar no país. Estados Unidos não é Brasil. Aqui as pessoas trabalham muito.
  • Mesmo com ensino superior, dependendo da formação, você terá que voltar a estudar e ninguém vai te julgar por isso.
  • Não tenha medo ou vergonha de começar por baixo. O importante é ter alguma experiência profissional nos EUA.

Cristiane Ross

 

Dallas

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1 Comment

  • Reply
    Como são os americanos, segundo brasileiros nos EUA | Descobri a América!
    13/09/2016 at 14:10

    […] “Sou um pouco suspeita pra falar, mas acho os americanos bem educados. Não ficam esbarrando em você ou te empurrando em lugares como supermercados, sempre pedem licença para passar, falam por favor, agradecem, abrem ou seguram a porta de bancos, restaurantes… Outra coisa é que eles trabalham pra caramba! E são pontuais também.” (Cristiane Ross – Dallas, Texas) […]

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