Histórias e mais histórias

Criança pequena perambulando sozinha à noite na rua

Hoje vou contar uma história que aconteceu comigo na semana do Natal, mas até esses dias eu não havia sentado para escrever a respeito. Decidi escrever agora porque, na semana passada, uma notícia na minha timeline do Facebook me acordou para a realidade: “Criança de 3 anos encontrada morta na varanda depois de ficar vagando do lado de fora da casa em North Carolina”.

Sim, REALIDADE. O menino de 3 anos abriu a porta principal da casa no meio da noite, saiu, mas na hora de voltar não conseguiu abri-la novamente. E ficou ali fora, na varanda, enfrentando uma sensação térmica de 18 graus Celsius negativos, até falecer. Foi encontrado na manhã seguinte por alguém que passava pelo local e ligou para o serviço de emergência 911. A mãe e o namorado estavam dormindo.

Trágico, muito trágico. E só de pensar que participei de uma situação parecida mas que, felizmente, teve um final mais feliz, me dá uma sensação de revolta e de querer fazer alguma coisa para evitar tais fatalidades.

Vou contar a minha história.

Na madrugada de 21 de dezembro de 2016 eu estava com dificuldades de dormir. Era 5h21 quando a campainha daqui de casa tocou. Não atendi. Uma escuridão e frio de inverno que não consigo descrever. Quem seria àquela hora? Coisa boa não devia ser. Se ainda não leu o meu post “Quase invadiram  minha casa!“, dê uma passado por lá primeiro antes de continuar a leitura deste aqui. A diferença é que depois do episódio de agosto/2016, instalei câmeras de segurança na casa. E foi pela câmera da frente que consegui ver quem tocava a campainha. Vejam:

 

 

Rabisquei os rostos para não identificar as pessoas, mas era uma moça e uma menina de aproximadamente 2 anos de idade. A coisa estranha ali do lado é o meu boneco de neve gigante, enfeite de Natal. 🙂

Pois, bem. Meu coração gelou. Imediatamente decidi não atender. A primeira coisa que pensei foi que poderia ser uma mulher, acompanhada de homens (escondidos), usando uma garotinha para pedir alguma coisa e entrar na minha casa. Há vários relatos parecidos por aqui, como uma senhora que tocou a campainha de uma casa pedindo ajuda porque havia ficado sem combustível e, quando o dono da casa abriu a porta, foi surpreendido por dois homens e acorrentado a uma cadeira enquanto invadiam e roubavam a sua casa. Eu não cairia nessa.

Elas ficaram ali por uns 2 a 3 minutos, insistindo na campainha. Assim que saíram da porta acessei o áudio da gravação e ouvi a seguinte conversa entre as duas:

Moça __ Você quer que eu toque a campainha?

Garotinha __ Sim.

(tocam mais de uma vez)

Moça __ Tem alguém em casa? Você tem certeza que esta é a sua casa?

Garotinha __ Sim.

Moça __ Você tem certeza? Ok.

(pausa)

Moça __ Acho que não tem ninguém em casa. Você me promete que esta é a sua casa?

Garotinha __ Sim.

Moça __ Eu não estou vendo ninguém, “sweetie pie”. Você usa esta campainha ou aquela campainha? (tenho duas)

Garotinha __ Aquela ali.

Moça __ Essa aqui?

Garotinha __ Não.

Moça __ Essa aqui?

Garotinha __ Não.

(e elas vão descendo as escadas para irem embora)

Garotinha __ Estou com frio.

Moça __ Está frio.

Garotinha __ Estou com muito frio.

(a garotinha tremia muito)

Moça __ Tem certeza que é aqui que você mora, “sweetie pie”?

(a moça pára e olha as redondezas)

Moça __ Aquele é seu vizinho? Tem alguém em casa? Você quer ir lá vê-lo?

Garotinha __ Sim.

E ambas vão em direção à casa do meu vizinho. Depois fiquei sabendo que ele também não atendeu a porta.

Imediatamente liguei para o número de não-emergência aqui do meu condado, que é o número da polícia para o qual você liga num caso que não seja de vida ou morte. Pausa para explicação: só ligue para 911 se for uma grande emergência; caso contrário, há números específicos de não-emergência na sua cidade ou condado. Informe-se!

Continuando… Fui atendida prontamente por uma policial e relatei todo o ocorrido. Em menos de 5 minutos havia 3 viaturas policiais na porta da minha casa. Novamente contei tudo aos policiais e também respondi perguntas. Nunca havia visto a moça ou a garotinha antes. Perguntei se eles queriam o vídeo e um policial me deu seu cartão com email, para o qual prontamente enviei a gravação. Enquanto falávamos, outros policiais estavam em contato via rádio. Naquele momento ficamos sabendo que a moça e a garotinha estavam num posto de bombeiros voluntários aqui perto de casa. Ali a garotinha ficaria até que os pais fossem encontrados. Os policiais me informaram que a história que a moça contou no posto de bombeiros foi a seguinte: ela estava passando de carro e encontrou a menina vagando sozinha pela estrada. Por qualquer motivo que eu desconheço a garotinha disse que a minha casa era onde ela morava, então elas vieram aqui. Depois, para os voluntários, ela disse que morava numa casa verde (a minha não é verde e eu também não conseguia lembrar de nenhuma casa verde ao redor de casa). Os policiais me contaram isso e ficamos por ali, naquela situação. Eles pediram que eu voltasse a entrar em contato se alguma informação nova surgisse. Voltei para dentro de casa, mas não consegui dormir.

Imediatamente decidi postar uma mensagem no site Nextdoor (um tipo de Facebook para a vizinhança) avisando que uma garotinha de dois anos havia sido encontrada perambulando pela estrada e se encontrava no posto de bombeiros voluntários. Às 7h00 recebi uma mensagem de um vizinho que não conheço (mas que desconfio trabalhar como voluntário), anunciando que a mãe da criança havia sido localizada e as duas já estavam juntas novamente.

Dois dias se passaram, eu estava à caminho da casa da minha sogra para as celebrações de Natal quando recebi um email enviado por aquele policial para o qual enviei o meu vídeo:

“Thank You so much for your help, we were able to locate the child’s mother a short time after we spoke. Thank You again!”

 

Me impressionou a preocupação e delicadeza dele em agradecer e me atualizar sobre a situação. Com certeza proporcionou um ótimo começo de Natal para mim!

Fiquei por muito tempo pensando no que poderia ter acontecido com a menina e como ela deveria estar agora, orando para que aquele tenha sido apenas um incidente isolado e que ela tenha uma boa família que zelará melhor por ela. O fim poderia ter sido tão trágico ou até mais quanto o do menininho de 3 anos de North Carolina.

Comecei este post com uma história triste e estou terminando com outra com final mais feliz. O que as duas histórias têm em comum é o fato das crianças pequenas terem acesso à rua longe dos olhares dos pais. Custa trancar a porta à noite? Se trancada, então custa colocar dispositivos nas maçanetas que evitam que elas consigam destrancá-la?

Se essas histórias te colocaram para pensar, veja no post “Como evitar que as crianças abram as portas de casa” alguns produtos que podem ajudar a manter as portas seguras. E nunca, nunca subestimem a capacidade dos pequenos, ainda mais hoje em dia!

Be safe! Keep your children safe!

Carol

OBS: Se você é do Brasil e não está entendendo por que os pais simplesmente não trancam a porta e escondem a chave, é o seguinte: as portas aqui são diferentes. É claro que há fechaduras que levam chaves, mas em muitas casas encontramos a fechadura comum ou deadbolt. Exemplo:

 

Fonte da notícia de North Carolina: Toddler found dead on porch after wandering out of North Carolina home

 

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4 Comments

  • Reply
    Como evitar que as crianças abram as portas de casa | Descobri a América!
    25/03/2017 at 01:25

    […] você já leu o post “Criança pequena perambulando sozinha à noite na rua“, viu que as crianças pequenas podem abrir as portas de casa facilmente, o que pode trazer […]

  • Reply
    Aline
    25/03/2017 at 06:22

    Carol, que bom que teve um final feliz!!! 😙😙

  • Reply
    Ana Taylor
    25/03/2017 at 17:39

    Carol, vc já pensou em ter um cargo ativo em seu condato? Acho super sua personalidade um cargo em um council and committee…você é uma cidadã muito consciente …. pense nisso ….😘

    • Reply
      Carol Mendes
      25/03/2017 at 17:43

      Thanks, my friend. I guess these things are happening for a reason, right? I do care about our community. Let’s see where this will lead me. Beijo grande!

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