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Deus agindo em minha vida

Hoje levei o maior susto do mundo, talvez desde um trágico acidente que sofri na década de 80. Meu marido foi para North Carolina passar um dia na casa de verão da família, para então seguir em direção ao Tennessee e participar de um treinamento do trabalho. Ele levava em nosso trailer um buggy, marca Yamma Buggy, que havia comprado em péssimas condições, passado meses consertando e agora, que estava “top shape”, levava para a casa de verão.

A viagem à North Carolina foi tranquila. Nos falamos por diversas vezes, inclusive depois de ele ter chegado na casa. Quando eu já estava na cama para dormir, às 22h00, mandei uma mensagem de boa noite, mas não recebi resposta. Achei que ele já estivesse dormindo. Mas às 22h30 recebi uma ligação da minha sogra, que está na casa da minha cunhada no estado de Michigan. Graças a Deus foi ela a me dar a notícia, com calma e me tranquilizando. “Scott estava andando com o buggy com um amigo quando passou por cima de algum pedaço de árvore e perdeu o controle do veículo, capotando algumas vezes e caindo ribanceira abaixo. O amigo dele nada sofreu, mas ele ficou desacordado. O socorro chegou e ele conseguiu se comunicar brevemente num dos raros momentos em que recobrava a consciência, dizendo nome e data de nascimento. Os socorristas disseram que ele está bem, mas que sofreu um trauma na cabeça e precisou ser levado de helicóptero a um hospital no estado do Tennessee.”

Meu mundo caiu. Eu, aqui sozinha com as crianças por vários dias, os sogros em Michigan, o marido acidentado no Tennessee, um treinamento do trabalho esperando por ele durante a semana. Meu filho mais velho estava ao meu lado e eu precisava ser discreta e manter a calma, o que consegui fazer. Mas por dentro, era uma mistura de oração, de raiva do buggy que eu não gostava porque achava perigoso (mas evitava falar), de sentimento de não poder fazer nada a não ser esperar. Nem no hospital eu podia ligar porque ele ainda estava em trânsito, voando até lá. O celular dele estava desligado e eu acreditava que ele havia perdido o aparelho no acidente, ou seja, como entrar em contato?

Desliguei o telefone com a sogra e o socorrista de North Carolina me ligou e relatou a mesma história. Disse que ele estava bem, que precisou ser levado ao hospital para exames porque havia sofrido um trauma na cabeça. Até aí eu não sabia a extensão do trauma, porque qualquer batida de cabeça a pessoa é levada ao hospital para exames e observação. Em 2007, em São Paulo, acordei no meio da madrugada para ir ao banheiro, tropecei no pé da cama e caí de cabeça no chão, aliás, de cara no chão. Cortei a boca, mas me sentia bem. Mesmo assim a ambulância veio e me levou ao hospital, onde fiquei por dois dias em observação. Seria esse o caso do meu marido? Seria uma coisa boba e preventiva ou algo mais grave? Não havia como saber.

Esperei dar meia-noite e meia e liguei no hospital. Ele ainda estava no pronto-socorro, mas não poderiam me dar informações por questões de confidencialidade (mesmo eu sendo a esposa dele). Para não me deixarem no vazio, apenas falaram que ele estava bem e passaria por exames. Pedi pra falar com ele, pegaram o número do meu telefone e disseram que se houvesse um telefone móvel disponível, me ligariam e repassariam para que ele falasse comigo.

A ligação não chegava. Me ajoelhei. Orei. Coloquei as minhas mãos em posição de cura e pedi com todas as minhas forças que a cura de qualquer trauma ou sequela fosse feita naquele momento. Fui incisiva e ali coloquei toda a minha fé.

Me deitei, mas o sono não vinha. Tentei me distrair com Facebook, Instagram… mas nada fazia sentido. Abri o Pinterest e procurei por “Faith in God”. E Ele, como em todos os momentos difíceis da minha vida, não me decepcionou:

“Se você está orando, Deus está trabalhando.”

 

Conforto certeiro ao meu coração. Enquanto estamos pedindo, Deus já está trabalhando em nosso pedido.

Somente às 5h00 consegui fechar os olhos, que já se abriram às 7h45, quando imediatamente liguei para o hospital. Não havia registros do nome dele. Pedi para passarem para o pronto-socorro, mas também não encontravam o nome. Falei: “Não é possível! Há poucas horas liguei e ele estava no pronto-socorro. Foi um acidente de buggy”. A telefonista então lembrou do caso e foi checar a ficha. Disse que ele havia sido dispensado às 2h40. Uma mistura de emoções me tomou o coração, principalmente de alívio. Mas então perguntei: “E como é que ele voltou para North Carolina?”, e ela respondeu que ouviu dizer que chamaram um táxi para North Carolina e que poderia ser ele. Apenas para terem uma ideia de localização, a distância aproximada entre o hospital e a casa é de uma hora e meia, mais ou menos.

Ufa! Ele já estava na casa de verão! Mas eu não poderia ligar, afinal, ele estava sem celular e o telefone residencial não estava funcionando. Eu também não ligaria, pois ele poderia estar dormindo. Mandei mensagens que ele poderia ler do computador quando acordasse. Às 10h13 recebi resposta: “I love you too”. Glória a Deus!

Depois eu soube de mais detalhes. Scott não se lembra do acidente. Lembra que usava o cinto de segurança e atingiu um pedaço de árvore. Depois disso, as lembranças são muito vagas, pois ficou perdia a consciência constantemente. O buggy caiu em cima dele. Ficou desacordado. Quando o socorro chegou, lembra que conseguiu falar ao socorrista qual era o seu nome e data de nascimento, mais nada. Tem vaga noção sobre ter sido levado de helicóptero e que pessoas tentavam mantê-lo acordado. Lembra que cortaram suas roupas. Sabe que acordou num hospital, mas como num sonho. Quando deram alta, chamaram um táxi; deu o endereço ao taxista, que não sabia onde ficava. “É em North Carolina”, disse Scott. “North Carolina? Mas estamos no Tennessee!”. Ele nem sabia que estava em outro estado! Teve uma concussão, levou pontos na cabeça, duas vértebras fraturadas, cortes na língua e outros espalhadas pelo corpo, hematomas variados, além de dores no corpo, principalmente nas costas.

Detalhe interessante: o hospital pagou o táxi. O taxista explicou que a quantia não será cobrada do seguro-saúde, pois o hospital tem um fundo para situações como a do Scott em que o paciente não tem como voltar para casa. Mesmo a viagem dele tendo sido de uma hora e meia, duas horas.

Enfim, poderia ter sido muito pior. Mas hoje Deus me provou, mais uma vez, que não estou sozinha. Em TODOS os momentos está comigo e bem à frente das minhas necessidades.

Sou de escrever pouco no meu perfil no Facebook, mas em fevereiro de 2012 postei:

“Porque de verdade, só podemos contar com Deus. É o único que não nos abandona, não esquece nosso aniversário, fica ao nosso lado até pegarmos no sono, cuida da nossa casa quando estamos ausentes, prepara a refeição que comeremos no dia, nos leva a salvo a nossos destinos… E Deus está em nós, por isso nunca somos sozinhos.”

Scott está bem, dentro do possível. Só tenho a agradecer pela vida do meu marido, pai dos meus filhos, o homem pelo qual me apaixonei, me fez mudar de país, me ensinou a amar a América e com quem quero passar o resto da minha vida. Scott, eu te amo! Você é meu sonho transformado em realidade. Foi o universo quem te trouxe para perto de mim, e assim ficaremos. Te esperamos em casa com todo o amor do mundo. Love, your Vitamin C.

 

 

ATUALIZAÇÃO – 2 DE ABRIL DE 2016:

Em nome da minha família, agradeço o carinho e suporte de todas as pessoas que deixaram seus comentários abaixo. Foram muito importantes para meu marido, mas acho que principalmente para mim, que praticamente fui deixada no vazio, sem informações precisas, por uns bons dias. Acho que demorou a semana toda para que montássemos o quebra-cabeças e descobrir o que aconteceu (e até agora não sabemos) e o real estado de saúde do Scott. As lesões nas vértebras, para quem entende, foram “processos de fratura transversa direito L2 e L3”. Pelo que minha cunhada (fisioterapeuta) me explicou, foram fraturas nas “asas” das vértebras. Fraturas exteriores, o que é menos pior. Quanto mais para “dentro” for a fratura, maiores os danos, podendo chegar até a uma paraplegia. Me corrijam os profissionais de saúde se eu estiver falando besteira, mas foi o que entendi.

Enfim, meu propósito aqui é agradecer profundamente aqueles que, em respeito à minha família, conhecendo ou não o Scott pessoalmente, deixaram comentários e emitiram energia positiva.

Ele já está em casa, gente! E está sendo muito mimado, claro.

A vida nos dá cada susto!… São lembretes de que devemos apreciar o dia de hoje, amar mais, perdoar mais, deixar de querer vencer uma discussão, passar mais tempo juntos, construir mais memórias… Pois, no final, são apenas as memórias e o amor que ficam. Não sabemos o dia de amanhã. Agradeçamos todos os dias pela oportunidade do hoje.

Deus abençoe a todos pelo amor e preocupação. O que importa é saber que há quem se importa.

Um beijo grande e VIVA A VIDA!

Carol

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